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Caminhos forjados

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Por: Marta Ferreira D’Oxum

✅ 26/01/2026 | 08:09


Dia 22 de Janeiro de 2000 – dia que renasci para Yá mi Oxum! Dia seguinte a data que lembra nossas lutas para continuar vivendo a partir de uma lógica em que Ancestralidade e o sentido de Egbé/Comunidade nos conduz e move. Aprendi e aprendo constantemente a partir das Ancestralidades e da própria dinâmica da Ilê. Foi aqui que moldei minha docência, aprendi formas de gestar pesquisas, revi as lógicas propagadas pela ocidentalidade e compreendi que é possível olhar e aprender a partir de lógicas outras.



Aprendi que crianças ensinam muito, compreendem melhor que muitos adultos a filosofia de terreiro e apontam a importância de uma lógica não adultocêntrica. Me levaram a buscar autoras que conceituem infâncias, educação, epistemologias, dentre outras categorias mais, para além das lógicas européias vistas na formação em Pedagogia. Como bem nos ensina Yá Vanda Machado:


[...] Cada criança que nasce é um ancestral que regressa com uma origem sempre surpreendente. Nasce dotado de uma sacralidade e sabedoria que desconhecemos. Comn o tempo, vai se mostrar como ser de participação, um ator social, um sujeito social, um ser da natureza que não alcançamos a sua condição de ser humano, mais do que suas circunstâncias materiais, porque possui valor inalcançável. [...] Estamos sempre dançando na roda movente das subjetividades. (MACHADO, p.45, 2024)


E a criança que todas nós somos enquanto iaô é estar aberta a crescer educada nesse movimento aprender-ensinar contínuo e saber que sempre seremos as mais novas de alguém e isso não é problema, pelo contrário, é riqueza ancestral pura. O “início-fim-começo” de Nego Bispo faz todo sentido ao espiralar nossa forma de compreender, aprender e nos Orí-entar nos mais variados campos de nossa vida.


Espiralando vamos caminhando e atrasando a chegada de Iku, pois nossas mais velhas ensinam que enquanto tivermos o que aprender é sinal que precisamos continuar as caminhadas por aqui; se soubermos tudo, Iku nos recolhe para que possamos aprender para além do Ayê, para darmos continuidade as nossas colaborações ancestrais.


Hoje é dia de ficar de surrão e agradecer por todos esses conhecimentos que me formam nas mais variadas áreas – compreensão de mundo, docência, pesquisa, cuidado e zelo com tudo que forma o mundo. Minha vida dourada, com todos os percalços cotidianos que nós – mulheres, negras, das periferias, que conjugamos trabalhos/estudos/candomblés – passamos, me apresentou as estratégias oxúnicas para caminhar nos espaçostempos além muros do terreiro, forneceu fontes de pesquisa, fortaleceu minha identidade, forjou e forja quem sou – Yákekerê Marta Ferreira D’Oxum, filha dourada de uma Yá Odé, aprendendo cotidianamente, principalmente com as crianças dos terreiros tão senhoras do que diz respeito aos conhecimentos ancestrais e seus desdobramentos.



Referências:

MACHADO, V. Contos míticos afrobrasileiros. Rio de Janeiro. Malê Edições, 2024.

SANTOS, A.B. A terra dá, a terra quer. São Paulo. Ubu Editora. 2023.




Mãe Marajoana de Xangô - AxéNews

Marta Ferreira D’Oxum

Yakekerê/Mãe Pequena do Ilè Asé Omi Larè Ìyá Sagbá (Duque de Caixas /RJ). Doutora em Educação pela UNICAMP. Mestra em Educação pela UERJ. Historiadora e Pedagoga. Pesquisas em: Educação nos dos Terreiros, Infâncias de Terreiro, Letramento Racial, Ensino de História com ênfase em Educação Antirracista, reflexões sobre Filosofias Afrodiaspóricas e Racismos Religiosos... [+ informações de Marta Ferreira D’Oxum]



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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