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Ancestralidade, Resistência e a Medicina dos Terreiros

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 27 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 28 de abr. de 2025

Por: Dolores Lima | escrita dividida com Ogoan Tony de Bade

27/04/2025 | 10:42


O artigo "Da África ao Brasil, Um Paralelo Entre Sistemas Médicos Tradicionais Yorubás", de Jonatas José Luíz Soares da Silva, Suzana Guimarães Leitão e Danilo Ribeiro de Oliveira, aborda a medicina tradicional africana como um sistema de cura e resistência desenvolvido por escravizados no Brasil, destacando o uso de ervas, rituais religiosos e conhecimentos ancestrais para tratar doenças físicas e emocionais. Além disso, mostra como essas práticas evoluíram e se mantêm vivas nos terreiros de Candomblé, Umbanda e Casas da Bençãos, espaços de acolhimentos e saúde complementar ao sistema médico convencional. Nesse estudo, os fatos remontam ao período colonial (séculos XVI–XIX), quando africanos escravizados trouxeram seus conhecimentos medicinais para o Brasil.


No entanto, essas práticas não são apenas históricas, elas continuam ativas até os dias de hoje dentro dos terreiros, desempenhando um papel fundamental na saúde de muitas comunidades, especialmente nas regiões com acesso limitado a serviços médicos formais.



A medicina africana nos terreiros, em especial os terreiros de Candomblé, se desenvolveram inicialmente em regiões com grande presença negra, como Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco. Hoje, os terreiros estão espalhados por todo o Brasil, com mais de 30.000 casas identificadas (Silva, 2007), e até mesmo em outros países, como EUA, onde a religião e suas práticas terapêuticas têm ganhado espaço (Fonseca & Balick, 2018).


Essas práticas surgiram como forma de sobrevivência e resistência cultural, diz o estudo, que narra que durante o período escravocrata, a população africa recorria as ervas como o amansa-senhor (Petiveria alliaceae) para enfraquecer o homem violento (Camargo, 2007).


Hoje, a medicina dos terreiros persiste e denuncia a falta de acessos da gente de suas comunidades a serviços de saúde pública, a tratamentos integrais que cuidam do corpo e espírito. Muita gente desconhece o fato de que os terreiros funcionam como espaços terapêuticos em que os rituais, no uso de plantas medicinais e a orientação espiritual, complementam, às vezes, substituem a medicina convencional. O jogo de búzios, por exemplo, é uma forma de diagnóstico que identifica problemas físicos e emocionais, enquanto banhos e chás de ervas são usados para os tratamentos. Pesquisas mostram que muitos frequentadores buscam os terreiros para alívio de dores crônicas, depressão e ansiedade (Mota & Trad, 2011). Por tanto, entende-se, que a medicina tradicional africana, longe de ser um resquício do passado, é um sistema vivo e dinâmico que resistiu à escravidão, ao preconceito e à marginalização. Hoje, os terreiros não só preservam esses saberes, mas também oferecem um modelo de saúde integral, algo que o próprio SUS busca alcançar. Como afirmou a Dra. Mara Z. Almeida (2019), "Os terreiros já praticam a filosofia do acolhimento, prevenção, cuidado e cura, que está sendo oferecida ao SUS, há muitos séculos".


Abaixo outras Informações e Artigo científico:

. https://chng.it/pXDGX7mMH7

. https://www.change.org/ebocontraoracismoreligioso

. https://www.conjur.com.br/2024-jan-01/mpf-recomenda-que-hospital-crie-protocolo-para-prevenir-intolerancia-religiosa/



Dolores Lima - AxéNews

Dolores Lima | Iyalaxe Oyaiyele

Maria Dolores de Lima e Silva; Bacharel em Psicologia pela UNESA; Especialista em Educação pela UFF; pesquisadora CNPq LEPPA/HESFA/UFRJ – “Desafios e possibilidades de Aliança com Movimento Negro no combate ao DST/AIDS ; Iyalase ti Ile Ase Idasile Ode – RJ; Servidora Pública da SEEDUC - RJ; Membro do Comitê Étnico Racial da Secretaria de Estado de Educação(2010 à 2017); Membro da Executiva do Fórum Estadual de Mulheres Negras - RJ; Membro da Coordenação da Marcha das Mulheres Negras; Membro do Fórum Permanente de Diálogo com as Mulheres Negras – Vereadora Marielle Franco(ALERJ); Membro da Coordenação da Campanha Eu Voto nas Pretas... [+ informações de Dolores Lima] 


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