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Observatório Manoel Congo: quando a luta dos terreiros vira política pública

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 21 de jan.
  • 3 min de leitura

Por: Pai Sid (colaboração de Pai Jeferson de Oxalá)

21/01/2026 | 18:49


No dia 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o Sul Fluminense

marca um passo histórico com o lançamento do Observatório Manoel Congo. A luta no interior do Estado do Rio de Janeiro ganha novos contornos e novas alianças no combate ao racismo religioso e estrutural, bem como fortalece o discurso por justiça social e enfrentamento das desigualdades.


O lançamento do Observatório Manoel Congo não é apenas um ato simbólico. É, sobretudo, um passo concreto na consolidação de uma caminhada que o povo de terreiro do Sul Fluminense vem trilhando com muito trabalho, diálogo e firmeza política. Trata-se de uma ferramenta construída a partir do protagonismo real da Comissão de Terreiros do Sul Fluminense – Mojubá, em parceria com o Gabinete do Vereador Raone Ferreira e o mandato do Deputado Federal Lindbergh Farias, que compreendem que política pública de verdade nasce da escuta e do respeito aos sujeitos históricos que constroem o território.



O Observatório nasce para olhar, registrar, acompanhar e incidir. Ele amplia o nosso campo de atuação para todo o Sul Fluminense, fortalecendo a articulação regional dos povos de terreiro, produzindo dados, sistematizando informações e criando condições para que nossas demandas não sejam tratadas como exceção, mas como parte estruturante das cidades e da região que ajudamos a erguer. É uma resposta madura à necessidade de transformar vivência em política pública e tradição em direito garantido.


Essa iniciativa dialoga diretamente com a Lei Municipal nº 6.643 de 2025 que reconheceu as manifestações das religiões afro-brasileiras como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Volta Redonda. O Observatório vem, justamente, para dar continuidade a essa conquista, garantindo que a lei não seja apenas um marco no papel, mas um instrumento vivo, acompanhado, monitorado e permanentemente atualizado a partir da realidade dos terreiros. Patrimônio não se preserva sozinho;

exige política, orçamento, proteção institucional e, principalmente, a centralidade de quem carrega esse patrimônio no corpo, na fé e na ancestralidade.


Não por acaso, o lançamento acontece no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa reforçando um sentido profundo de compromisso dos povos de terreiro em seguir vigilantes. Em um país que ainda naturaliza a violência simbólica e material contra as religiões de matrizes africanas, afirmar publicamente um Observatório com esse nome, nessa data, é dizer que não aceitaremos mais o apagamento, o silenciamento e a criminalização da nossa fé. É transformar dor histórica em ação

organizada e resistência em política de Estado.


O nome Manoel Congo, líder da maior insurreição de escravizados do Vale do Paraíba Sul Fluminense, também nos convoca à responsabilidade, nos lembra que liberdade, dignidade e justiça nunca foram concessões; sempre foram fruto de luta. O Observatório carrega esse legado ao se colocar como espaço de vigilância cidadã, de produção de conhecimento e de fortalecimento do nosso direito à cidade, à cultura, à fé e à existência plena.


Seguimos avançando porque aprendemos com os mais velhos que caminhar junto é o que nos mantém de pé. O Observatório Manoel Congo é mais uma prova de que quando o povo de terreiro ocupa os espaços de formulação, a política ganha raiz, memória e futuro. Mojubá.


Artigo escrito em colaboração com Pai Jeferson de Oxalá.




Pai Sid - AxéNews

Pai Sid

Pai Sid Soares é pai pequeno do CENSG - Centro Espírita Nossa Senhora da Guia em Volta Redonda RJ. Co-presidente da Comissão de Terreiros Mojuba, no Sul Fluminense que realiza um trabalho de fomento das políticas públicas para o povo de santo. [+ informações de Pai Sid]



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