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Umbanda: um convite para ser mestre de si mesmo

  • 2 de mai.
  • 3 min de leitura

Por: Mãe Marajoana de Xangô

✅ 02/5/2026 | 11:40


A Umbanda nos convida a sermos mestres de nós mesmos. E esse convite, tão antigo quanto a ancestralidade que nos sustenta, não chega como uma ordem — chega como um sussurro que só quem está disposto a sentir consegue ouvir.


Ser mestre de si é perceber que a espiritualidade não é um palco, é um espelho. E que cada guia que chega não está apenas limpando nossos caminhos, está revelando o que ainda insistimos em esconder de nós mesmos.


É quando o Preto-Velho fala devagar que compreendemos que a pressa é só um disfarce para o medo. É quando o Caboclo nos ergue que entendemos que a coragem não nasce da ausência de feridas, mas da capacidade de caminhar com elas. É quando a Pombagira sorri para nossas dores mais secretas que percebemos que a liberdade é um ato radical de verdade.



Profundidade não é saber muito — é sentir o suficiente para transformar. É aceitar que dentro de nós vivem partes antigas, partes cansadas e partes que ainda estão aprendendo a nascer. E que a Umbanda, com sua força tão simples e tão imensa, não apaga nenhuma dessas partes... ela as integra.


Tornar-se mestre de si mesmo é atravessar a própria mata interna: os medos que sussurram, as culpas que pesam, as memórias que ainda pedem cura.


É olhar para dentro e descobrir que o terreiro maior não é o que pisamos com os pés — é o que pisamos com a consciência.


Quando a gente se aprofunda, percebe que a espiritualidade não resolve a vida por nós. Ela nos desperta. Nos provoca. Nos afina. Nos responsabiliza.


Ser mestre de si é ter a coragem de não terceirizar o próprio destino aos guias. É honrá-los fazendo por nós aquilo que só nós podemos fazer. É viver de modo que nossa conduta seja um ponto cantado que ecoa mesmo quando ninguém está ouvindo.


Porque no silêncio da alma, quando a gira externa cessa, é que compreendemos: A maior força da Umbanda é nos ensinar a lembrar quem somos e a sustentar essa verdade no mundo.


Na Umbanda, aprendemos que cada guia ilumina, mas não substitui a nossa luz. Cada conselho abre caminhos, mas é o nosso passo que decide a direção. Cada bênção fortalece, mas é a nossa postura que sustenta o axé.


E, aos poucos, vamos entendendo: que domínio não é controle, que força não é imposição, que fé não é fuga, e que espiritualidade não é sobre ser perfeito, é sobre ser verdadeiro.


Tornar-se mestre de si mesmo é aprender a se escutar. É saber quando silenciar, quando agir, quando perdoar, quando romper, quando agradecer. É fazer da vida um terreiro interno, onde cada pensamento é uma vela acesa, cada escolha é um ponto riscado, cada atitude é um pedido aos guias para que caminhem ao nosso lado.


A Umbanda nos lembra que a maior gira acontece dentro da gente. E que evoluir é, no fim das contas, alinhar o coração com o propósito da alma. Ser mestre de si mesmo é um exercício diário. É olhar para dentro com honestidade, reconhecer sombras, acolher dores, transformar feridas em portais. É saber que ninguém caminha por nós — e, ao mesmo tempo, nunca estamos sozinhos.


Mãe Marajoana de Xangô é dirigente espiritual da Tenda de Umbanda Luz da Vida, em Rio Branco, no Acre. Conduz o despertar da consciência junto as medicinas sagradas da floresta. É empreendedora e estudante de Ciência das Religiões. Em suas palavras: “Uma eternada aprendiz deste imenso Universo chamado vida”.



Mãe Marajoana de Xangô - AxéNews

Mãe Marajoana de Xangô

Aprendiz de Umbanda há mais de 20 anos, com 11 anos de sacerdócio, Mãe Marajoana de Xangô é fundadora e dirigente espiritual da Tenda de Umbanda Luz da Vida, em Rio Branco, Acre. Conduz cerimônias com as medicinas sagradas da floresta, a partir de uma proposta de autoconhecimento e mergulho em seu interior. Acadêmica de ciências da Religião, Mãe Marajoana possui uma visão de mundo cosmopolita ao cear da fonte de conhecimento das diversas culturas e saberes ancestrais... [+ informações de Mãe Marajoana de Xangô]  



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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