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Santa Cruz (RJ) recebe mobilização de mulheres negras pela justiça climática e contra o racismo ambiental

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Saberes ancestrais e articulação territorial pautaram o encontro em Santa Cruz

Foto: Lucas Xerel
Foto: Lucas Xerel

✅ 4/9/2026 | 18:55


No dia 19 de agosto, o bairro de Santa Cruz no Rio de Janeiro recebeu a Primeira Caravana do Clima, construída por mulheres negras para discutir justiça climática para a extrema Zona oeste do Rio de Janeiro.


A caravana chegou com o objetivo de conectar territórios, instituições e ativistas pelo clima e pelo combate ao racismo ambiental. Segundo Iya Katiuscia de Yemanjá, uma das promotoras da ação de justiça climática, “a palavra deste encontro é conexão! Para que possamos nos reconhecer na luta por justiça ambiental e construir resistência no território”.



A atividade é uma das estratégias da Rede de Mulheres Negras construindo um futuro com justiça climática reunida pela Ong Criola, e foi organizada por três lideranças dos povos de terreiro da região - Iya Roberta Costa do Instituto Águas do amanhã/ Sepetiba, Marcela Lopes do coletivo Egregora de Marias/ Sepetiba e Iya Katiuscia de Yemanjá do Terreiro Òbá Labi/ Guaratiba.


Naquela tarde de intenso calor em Santa Cruz, estiveram no evento movimentos sociais, instituições locais, representantes das agendas climáticas no Rio, sociedade civil, comunidades tradicionais e instituições de pesquisa regionais e nacionais, divididos em três mesas muito potentes.


A mesa de abertura contou com a fala das organizadoras, trazendo as tecnologias sociais populares e de matriz africana como fundamentais nas estratégias de mitigação e adaptação. Como lembrou, Iya Roberta costa, “precisando falar de adaptação”, a Iya ainda trouxe em sua fala a garantia da soberania alimentar, apresentando a rede ICCA, que reúne várias cozinhas ancestrais que fazem. Segurança alimentar nos territórios.


Iya Katiuscia do Oba Labi trouxe a experiência educativo e afroecologica do Quintal das pedrinhas e como as estratégias das ecologias ancestrais produziram a reparação de parte da APA morro do Silvério onde fica a comunidade Oba Labi. Marcela Lopes, que também atua na segurança alimentar e no acolhimento as mulher, ressaltou a importância de ter sido acolhida no movimento, pois isso dará mais força para o crescimento e atuação do coletivo Egregora de Marias.


A mesa 2 trouxe as estratégias de base territoriais no enfrentamento do racismo ambiental. Contando com a presença de Luciana Carneiro do Instituto Terreiro Sustentável, com Ingrid Nascimento do IPPÊ - Instituto para Periferias e Thux do PerifaConnection.


Já a mesa 3 celebrou pesquisa e posição governamental sobre o tema, trazendo Mãe Flávia Pinto da gerência de povos tradicionais da Secretaria de Meio Ambiente e clima do Rio, Brenda Azevedo.


Da Equipe de agroecologia soberania e segurança alimentar e nutricional e economia solidária da FIOCRUZ Mata- Atlântica, Gustavo Areal da CONAB, Ekedji Fabiana Silva, Ouvidora Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e Clara de Lima , da FASE e Rede de vigilância popular em saneamento e saúde.


A atividade também convocou vários parlamentares e gestores para ver a realidade da zona oeste em termos ambientais, mas apenas a deputada Estadual Dani Balbi esteve presente e acompanhou um pouco da discussão dos temas.


O evento ainda contou com a exposição “Akosse: saberes ancestrais em saúde” de curadoria de EKEDJI Angorense e construção histórica de Pai Thiago de Xangô do Terreiro Òbá Labi que abrilhantou os corredora do palacete Princesa Isabel, rasurando aquele espaço com tantas marcas históricas coloniais.


A alimentação como justiça ambiental foi celebrado com uma mesa de alimentação tradicional proporcionada pelo Cozinha solidária ancestral Ajeum de erê, que é coordenada pela juventude do Terreiro Òbá Labi na figura de Ogan Paizinho e de Sola. A mesa trouxe para o dia a perspectiva da alimentação de base popular e tradicional, exemplificando as estratégias de justiça nos territórios.


Neste fim de tarde de muitos saberes e tecnologias sociais para o enfrentamento das injustiças climáticas e das violações de direitos, foi lida a público a carta-compromisso em nome da justiça climática no território. Está ficará disponível para consulta e assinatura no site de Criola no mês de setembro.


A atividade que terá próxima parada na Baixada Fluminense traz como fecho que Não havera igualdade sem justiça racial! Não haverá esperança de vida sem o meio ambiente saudável e protegido. E não há solução sem participação da base e das mulheres negras.


Registros do evento | Crédito das fotos: Lucas Xerel


 
 
 

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