Quem é de Axé não bate em Mulher
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Por: Deputada Renata Souza

31/03/2026 | 07:05
Como mulher negra, filha de Oxum, sinto-me cotidianamente inspirada nos seus ensinamentos relacionados à importância do cuidado, justiça, dignidade e a defesa inegociável das mulheres. É desse lugar ancestral, é dessa fé e responsabilidade coletiva que afirmo: não podemos mais tolerar nenhuma forma de violência contra as mulheres.
É com essa mesma força ancestral e a partir do diálogo com mães e pais de santo que, no último dia do mês das mulheres e as portas do Abril Verde, anuncio a campanha de nossa mandata parlamentar: Quem é de Axé não bate em Mulher, um compromisso público de enfrentamento à violência de gênero dentro e fora dos nossos territórios.
A violência contra a mulher no Brasil, e em especial no estado do Rio de Janeiro, não pode mais ser tratada como um conjunto de episódios isolados. O que temos diante de nós é um cenário estruturado, persistente e profundamente enraizado nas desigualdades de gênero, raça e território. Como deputada estadual e presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) da ALERJ, tenho afirmado de forma contundente que o feminicídio é hoje uma verdadeira epidemia social. Não apenas pela brutalidade dos casos, mas porque ele escancara a falha contínua do Estado e das instituições em garantir proteção efetiva às mulheres.
Foi nesse sentido que propusemos a instalação da CPI do Feminicídio na ALERJ. Precisamos sair do lugar da comoção e avançar para o campo da responsabilidade. Reconhecer que se está falhando na área da prevenção, no acolhimento, na segurança pública e no sistema de justiça é importante para compreender que a violência não acontece no vazio. Ela é produzida, sustentada e, muitas vezes, negligenciada por uma estrutura patriarcal, misógina e machista que devemos combater com toda seriedade e rigor.
Não basta falar apenas em punição, embora ela seja necessária. É urgente investir na base: na formação de agentes públicos, no fortalecimento das redes de proteção, na ampliação dos canais de denúncia e na construção de políticas integradas que dialoguem com a realidade concreta das mulheres, sobretudo aquelas que vivem nas favelas e periferias.
A campanha Quem é de Axé não bate em Mulher nasce exatamente desse entendimento: nossos territórios também são espaços de formação ética, de cuidado e de responsabilidade. Em diálogo com ialorixás e babalorixás comprometidos com a causa, reafirmamos que a violência contra a mulher não encontra respaldo na tradição de terreiro. Ao contrário, ela fere princípios fundamentais de respeito, equilíbrio e valorização da vida.
A minha atuação política é, antes de tudo, um compromisso com o cuidado. Um cuidado que reconhece o valor da vida, que se orienta pela escuta e que entende que proteger mulheres é uma tarefa urgente e inadiável. Diante do crescimento dos índices de violência e feminicídio, o chamado é coletivo. Enfrentar essa realidade exige coragem política, mobilização social e compromisso permanente com a transformação.

Deputada Renata Souza
Renata Souza é a deputada estadual mais votada da história da Alerj, reeleita em 2022 com 174.132 votos. Cria da Maré, jornalista e pós-doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, é presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) da Alerj. Negra e de Oxum, tem atuação marcada pela defesa das comunidades tradicionais de matriz africana. É autora das leis que instituíram o Abril Verde e o Observatório Mãe Beata de Iemanjá, marcos no enfrentamento ao racismo religioso no Rio de Janeiro. Em 2024, publicou 'Pedagogia do Axé: saberes, lutas e resistência dos povos de terreiro' (Editora Aruanda), reafirmando seu compromisso ético e político com o povo de axé.
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