Povo de Axé com Lula: a resistência em defesa da vida e da democracia
Por: Deputada Renata Souza

24/10/2026 | 18:19
Defender o povo de Axé é defender a própria essência e a dignidade do Brasil. É garantir que ninguém precise ter medo de colocar suas guias, seus fios de conta ou de professar a sua fé. Nossos terreiros são territórios sagrados de ancestralidade, acolhimento, preservação cultural, cuidado com a vida, precisam ser respeitados!
Infelizmente, o estado do Rio de Janeiro tem sido historicamente um dos epicentros da violência e do racismo religioso no país. Registramos anualmente centenas de episódios de ataques, destruição de barracões, constrangimentos e intimidações violentas, além do preconceito institucionalizado. Não são casos isolados: são crimes com alvos e territórios bem definidos que visam apagar a memória e a fé do povo negro.
No meu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, assumi o compromisso de enfrentar de frente essa realidade e transformar indignação em direitos. Foi por isso que criei o Abril Verde, mês dedicado ao combate ao racismo religioso no nosso estado. Mas precisamos ir além: é preciso o comprometimento do estado do Rio de Janeiro e do governo federal, com a criação de políticas públicas que proteja e potencialize a população de matriz africana.
No entanto, não podemos fechar os olhos diante da gravidade do que está em jogo. O avanço da extrema-direita coloca em risco direto a liberdade de existir e professar a fé, como demonstrado pelas recentes declarações de Pablo Marçal, cotado para assumir um ministério em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, que chegou ao absurdo de defender a criminalização e a prisão de quem realiza oferendas de matriz africana. Essa postura violenta e discriminatória evidencia o projeto político que tenta criminalizar o povo de axé. Combater esse projeto não é apenas uma escolha eleitoral, é a defesa incondicional dos direitos humanos fundamentais.
A democracia só é real quando protege a todos no cotidiano. Ela precisa estar no direito de uma criança de terreiro ir para a escola sem sofrer discriminação, no letramento racial e diversidade de credos para os educadores, e na segurança para que cada comunidade celebre seus orixás, entidades, voduns, inkices, sem sobressaltos. O poder público tem o dever constitucional de garantir proteção, respeito e laicidade.
É por entender que não há democracia plena sem o enfrentamento ao racismo estrutural que reafirmamos nosso apoio à reeleição do presidente Lula. Estar ao lado do presidente Lula é escolher um projeto de país comprometido com a participação popular, com o recriado Ministério da Igualdade Racial e com a reconstrução de políticas públicas que foram desmontadas.
O povo de terreiro guarda uma memória ancestral de resistência que os permitiu chegar até aqui. O "Povo de Axé com Lula" é a afirmação da democracia e do direito de decidir os rumos do país.
Com a força dos nossos ancestrais e a firmeza da nossa luta, seguimos em frente: pela democracia, pelo fim do racismo religioso, por um Brasil onde a fé e as nossas vidas sejam plenamente respeitadas.
Pelo povo de Axé, pela liberdade religiosa e pela vida: seguimos com Lula!

Deputada Renata Souza
Renata Souza é a deputada estadual mais votada da história da Alerj, reeleita em 2022 com 174.132 votos. Cria da Maré, jornalista e pós-doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ, é presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM) da Alerj. Negra e de Oxum, tem atuação marcada pela defesa das comunidades tradicionais de matriz africana. É autora das leis que instituíram o Abril Verde e o Observatório Mãe Beata de Iemanjá, marcos no enfrentamento ao racismo religioso no Rio de Janeiro. Em 2024, publicou 'Pedagogia do Axé: saberes, lutas e resistência dos povos de terreiro' (Editora Aruanda), reafirmando seu compromisso ético e político com o povo de axé.
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