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O culto ao sagrado feminino e a defesa do direito à vida das Mulheres - A coerência entre a fala e a prática

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

Por: Iyalorixá Adriana Ty Oyá

Foto: Bea Domingos
Foto: Bea Domingos

✅ 19/03/2026 | 09:06


Embora sejamos majoritárias no país, vivemos numa sociedade brutalmente patriarcal, em quê ao longo dos séculos, foi intricicamente normalizada a violência direta às mulheres. Uma mentalidade arcaica que visa, infelizmente exterminar a população feminina - seja fisicamente, moralmente, psicologicamente ou patrimonialmente.


Uma cultura que vem alimentando o ódio pela figura feminina e tudo que esta representa. Diariamente assistimos nos noticiários o quanto vem crescendo absurdamente casos de violência contra a mulher, isto é, casos que chegam ao conhecimento público.



Casos estes que não são isolados e muito menos distantes de nossas vivências diárias e cotidianas. Está dentro dos lares, dos trabalhos, dos terreiros, na vizinhança, na família - em todos os lugares.


Segundo dados oficiais que constam no Painel de Estatística do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o índice de feminicídio triplicou nos últimos 5 anos, considerando dados entre 2020 à 2025. Em janeiro de 2026, esse percentual cresceu 3,49% superior ao percentual de casos registrados em janeiro de 2025. Em vidas, isso representa 947 mulheres brutalmente assassinadas.


"De forma geral, os índices de violência doméstica chegaram a 99.416 novos processos em janeiro deste ano. Em todo 0 ano de 2025, esse dado alcançou o patamar de 1,2 milhão de registros.


A busca por medidas protetivas também registra alta. No ano passado, esse indicador foi recorde, com quase 630 mil medidas concedidas, em comparação a 612 mil em 2024. O volume atual corresponde a mais do que o dobro do registrado em 2020 (287.427). Apenas em janeiro de 2026, foram concedidas mais de 53 mil medidas protetivas. " (CNJ).


Em todos esses casos, que não são só números para estatística, a culpa NUNCA é da MULHER!


Mediante ao exposto, venho trazendo nas minhas escrevivências reflexões acerca do culto ao sagrado feminino - este que é cultuado por mulheres e homens, nos territórios afroindígenas religiosos.


Parafraseando um trecho de minha autoria no Livro: As Guardiãs - Pombogiras e seus Mistérios: É contraditório cultuar, louvar, amar e propagar o sagrado feminino, seja ele na figura das Ìyabás, Pombogiras e Malandras, Caboclas (ancestrais indígenas), Pretas Velhas, Baianas, Mestras Juremeiras, Ondinas e etc. E, concomitantemente, reforçar violências cotidianas contra a mulher, seja ela cis, seja trans, lésbica, negra, indígena, branca ou fora do padrão de beleza estabelecido pelo "poder" cis-hétero-normativo - o culto ao sagrado feminino é um convite ao combate direto contra o patriarcado, o machismo, a misoginia e ao racismo.


Portanto, nós afrorreligiosos, temos o dever moral de não sermos omissos, dentro e fora dos muros de nossos ilês/terreiros/abassás. Um papel para além de educativo e pedagógico, mas sobretudo humano e de defesa da vida.


Lideranças femininas e masculinas, filhos e filhas, pais e mães - O sagrado feminino se honra nas práticas diárias que possuem coerência com o que cultuamos. A força que advém da ancestralidade está interligada com a nossa prática cotidiana que ratifica a vida e a defesa do óbvio - A VIDA DAS MULHERES!


Sejamos coerentes!



Adriano Cabral - AxéNews

Iyalorixá Adriana Ty Oyá

Nome: Adriana Silva de Santana Data de nascimento 29/01/198; Mulher Negra; Mãe do Antony;  Umbandista e Candomblecista; Naturalidade:  Duque de Caxias / RJ; Nome religioso: Mãe Adriana Ty Oyá; Profissião: Servidora Pública Educadora da Rede Pública de Ensino no Município de Duque de Caxias há 21 anos; Educadora antirracista; Pedagoga e Especialista em Raça, Etnia e Educação no Brasil ... [+ informações da Iyalorixá Adriana Ty Oyá]  



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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