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No tempo que eu tinha mãe...

  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Por: Mãe Lelê

9/5/2026 | 09:57


Este título é um verso que compõe um dos pontos cantados na Umbanda para os pretos-velhos. Na verdade, esse ponto é para todos nós. É um ensinamento para que possamos refletir acerca da importância de uma mãe na nossa vida. E quando falo em mãe, não estou falando apenas daquela mulher que nos acolheu no ventre e nos pariu. Estou falando também de todas aquelas que se fizeram mãe pelo coração e/ou pelo sagrado; aquelas que maternaram e maternam com todas as suas forças e com um amor incondicional dispensados aos seus filhos (as/es) que assumiram. E neste caso, refiro-me a uma mulher avó, irmã, tia, prima, madrinha, amiga... e também Yalorixá, Mametu, Mãe de santo, Sacerdotisa de Umbanda.


No tempo que eu tinha mãe

Eu comia prato cheio

Hoje eu não tenho mãe

Como um prato pelo meio

Por que é que eu choro?

Eu choro a minha mãe lá na Aruanda

Eu choro a minha mãe lá na Aruanda

Eu choro a minha mãe lá na Aruanda


Quão simbólico é comer um prato cheio quando se tem mãe! Quantas mães repartem o alimento para matar a fome dos seus filhes, deixando sempre a maior parte para eles? Entretanto, além de nos servir um prato cheio dos alimentos de que precisamos para nos nutrir fisicamente, elas enchem os nossos pratos dos fartos ingredientes para conduzirmos a nossa vida com valores éticos, filosóficos e espirituais. Nestes ingredientes estão amor, carinho, empatia, coragem, solidariedade, compaixão, respeito, fraternidade, disciplina, determinação, superação dos desafios, perseverança, fé, dignidade, esperança, união, lealdade, honra... a lista é imensa. E nós, seus filhes, vamos nos alimentando desta poderosa alquimia. Assim, vamos seguindo, honrando o legado, levando nas mãos“prato(s) pelo meio” quando elas se vão, mas com o coração cheio de afeto e profunda gratidão.



Claro está, que nem todes - a quem a mãe dá o “prato cheio” conseguem dar valor e serem genuinamente gratos. Há filho( as/es) que desrespeitam, ofendem, maltratam, renegam, agridem, esbulham, usurpam os bens materiais e cometem tantas outras atrocidades inimagináveis para um ser humano. Aí, depois, choram ou não - com as suas lágrimas de crocodilo - por terem a sua “mãe lá na Aruanda”. Com esses filhes, o tempo será implacável.


Quando crianças, antigamente, sempre desvirávamos os sapatos que estavam no chão, acreditando que este ato seria suficiente para termos sempre conosco as nossas mães. Perdi a conta de quantas vezes eu fiz isso, mesmo já adulta...


Como não lembrar do quanto era bom, antigamente, dizer: “bênção, minha mãe!” E ouvir de nossa mãe, com toda a força nas palavras, um: “Deus, lhe abençoe!” Ser abençoado por elas, sempre foi certeza de proteção divina.


Portanto, valorizem, hoje, os seus pratos cheios. Por precaução, desvirem os sapatos do chão. E peçam sempre : “bênção, mãe!"



Yatemy Regina de Tobossy - AxéNews

Mãe Lelê

Mãe Lelê, Leizimar G. da Costa e Silva, está na Umbanda há mais de 50 anos. Foi consagrada como sacerdotisa de Umbanda no dia 23 de abril de 2011 no Centro Espírita São Jorge de Ronda, fundado em 1975 por sua mãe carnal, D. Lais, e também sua mãe na Umbanda. E sendo assim, valoriza o lugar de onde veio; lugar onde construiu a sua identidade e aprendeu a viver e a conviver com o sagrado de forma respeitosa e livre. [+ informações de Mãe Lelê]


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