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Nós somos "essa gente" que inventou o réveillon de Copacabana. Viva Tata Tancredo!

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 31 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Por: Pai Caio

Foto: Reprodução

31/12/2025 | 11:15


A virada de ano em Copacabana é, hoje, um dos maiores espetáculos do planeta. Milhões de pessoas, vestidas de branco, convergem para as areias da "Princesinha do Mar" para saudar o ciclo que se inicia. No entanto, o que muitos turistas e novos moradores desconhecem é que a gênese desse ritual não nasceu do marketing turístico, mas da fé e da resistência das religiões de matriz africana, sob a liderança fundamental de Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo.


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Na década de 1950, o Rio de Janeiro ainda buscava sua identidade festiva para o Ano Novo. Foi Tata Tancredo, uma das figuras mais proeminentes da Umbanda no Brasil, quem começou a organizar as primeiras grandes celebrações religiosas nas areias de Copacabana.


O ritual era simples em sua essência, mas profundo em seu simbolismo:


A Vestimenta: O uso do branco, cor da paz e de Oxalá, para purificar o espírito.


As Oferendas: Presentes lançados ao mar para Iemanjá, a Rainha das Águas, pedindo licença e proteção.


Os Sete Pulinhos: O ato de pular sete ondas — número sagrado na Umbanda — para evocar força, saúde, amor e prosperidade.


Essas práticas, que antes eram marginalizadas e perseguidas, acabaram por definir a estética do Réveillon carioca. O "Réveillon de Branco" é, na verdade, uma herança direta dos terreiros que ocuparam a praia quando o asfalto ainda lhes fechava as portas.


É sobre equidade! Chegamos ao final de 2025 e o cenário em Copacabana apresenta uma contradição latente. Enquanto a cidade celebra recordes de público, observa-se um movimento institucional de invisibilização das raízes afro-brasileiras.


A polêmica central deste ano gira em torno da consolidação do palco destinado exclusivamente à música gospel e celebrações evangélicas em ponto estratégico da orla, financiados ou incentivados pelo poder público. Embora a diversidade religiosa seja um pilar da democracia, críticos e lideranças religiosas (como o Baba Ivanir dos Santos) apontam uma falta de equidade alarmante.


O legado de Tata Tancredo corre o risco de virar apenas uma nota de rodapé nos livros de história. O processo de "higienização" cultural do Réveillon tende a transformar ritos sagrados em meros gestos automáticos, desprovidos de sua origem cultural-ancestral.


Ao priorizar palco de uma vertente religiosa específica na programação principal do evento, a gestão pública sinaliza um distanciamento da laicidade e da proteção ao patrimônio imaterial do Rio de Janeiro. A resistência hoje, portanto, não é apenas para garantir o direito de pular as sete ondas, mas para que se reconheça quem trouxe esse axé para a areia.


O Réveillon de Copacabana é um mosaico. Sem as cores e os tambores de Tata Tancredo, a festa perde sua alma e o Rio de Janeiro perde sua essência mais profunda.



Bàbé Ifálóba Ifálósèyí - AxéNews

Pai Caio

Caio Bayma nasceu na Baixada Fluminense, Nilópolis, foi morar no Morro dos Macacos por conta da proximidade com o trabalho, faculdade e atuação no movimento social, hoje reside no centro do Rio de Janeiro. Graduando em Matemática, integra a equipe do Observatório Adolescente (OPPA /UERJ) no eixo de religiosidade e atuou como primeiro extensionista na Superintendência de Saberes Tradicionais da UFRJ.   [+ informações de Pai Caio]


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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.


 
 
 

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