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Editorial: "Essa gente" tem nome. Tem rosto. Tem território. Tem memória. Tem ancestralidade!

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 26 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Editorial AxéNews

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✅ 31/12/2025 | 10:49


Ao afirmar ser “impressionante o nível de preconceito dessa gente”, o prefeito do Rio de Janeiro não apenas escolheu mal as palavras: reproduziu uma lógica antiga de tratar como genérico e invisível um grupo que, historicamente, sempre precisou lutar para existir com dignidade. Quando um gestor público se refere ao povo de axé dessa forma, não se trata de um ruído de rede social, mas de um gesto simbólico grave, que reacende memórias de exclusão e desrespeito às tradições de matriz africana.


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“Essa gente” tem nome. É o povo de axé. São homens e mulheres de terreiro, guardiões de saberes ancestrais que atravessaram o tempo apesar da perseguição, da criminalização e do racismo religioso. “Essa gente” tem história, marcada pela resistência à escravidão, às violências do Estado e às tentativas sistemáticas de apagamento cultural. “Essa gente” tem ancestralidade, africana, indígena e brasileira, que sustenta parte fundamental da identidade do Rio de Janeiro.


Soa contraditório que um prefeito que se diz apaixonado pelo samba (expressão cultural profundamente ligada às religiões de matriz africana) utilize uma linguagem que diminui justamente o povo que sustenta essa tradição. O samba nasce nos terreiros, é atravessado pelo axé e pelo povo de santo. Tratar esse grupo como “essa gente” não é um detalhe retórico, mas um gesto que desconsidera a origem e a história dessa herança cultural.


É preciso reafirmar: o povo de axé não se opõe à presença da música gospel, nem de qualquer outra manifestação cultural ou religiosa, em um evento público. O que se exige é respeito. O que se cobra é responsabilidade no uso da palavra, sobretudo quando ela parte de quem ocupa o cargo máximo da administração municipal.


Que este episódio sirva como convite à reflexão. Que o prefeito compreenda que “essa gente” não é uma massa amorfa, mas um conjunto de pessoas que constroem diariamente a cultura, a espiritualidade e a história desta cidade.


Nosso total apoio e solidariedade ao querido Babalawô, professor e ativista dos Direitos Humanos e da Liberdade Religiosa, Ivanir dos Santos.

 
 
 

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