Mostra de Cinemas Africanos leva produções de diferentes países do continente ao CCBB do Rio de Janeiro
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Programação reúne ficções, documentários e curtas-metragens

✅ 25/8/2026 | 21:34
O cinema africano contemporâneo ganha espaço no Rio de Janeiro em setembro. Entre os dias 10 e 17 de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro recebe a Mostra de Cinemas Africanos 2026, reunindo produções recentes de diferentes países do continente e obras que apresentam ao público uma África múltipla, contemporânea e distante dos estereótipos frequentemente associados ao continente.
A programação oficial do CCBB reúne ficções, documentários e curtas-metragens, com filmes produzidos em países como Quênia, Senegal, Sudão, Gana, Burkina Faso, Nigéria, Ruanda, Marrocos, Chade, Tunísia, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau e outros territórios africanos, além de coproduções internacionais. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos a partir das 9h do dia de cada sessão.
A abertura acontece em 10 de setembro, às 17h, com Memória da Princesa Mumbi, dirigido por Damien Hauser, uma coprodução entre Suíça, Quênia e Arábia Saudita. Ambientado em 2093, o longa acompanha um cineasta que viaja para documentar as consequências de uma guerra que fez ressurgir antigos reinos. No encontro com Mumbi, ele é desafiado a realizar seu filme sem utilizar inteligência artificial, em uma narrativa que coloca em discussão tecnologia, memória e a própria maneira de contar histórias.
Cinema africano para além dos estereótipos
Um dos principais interesses da mostra está justamente na diversidade de temas e linguagens. As produções não apresentam uma única representação do continente africano, mas diferentes perspectivas sobre seus povos, cidades, conflitos, relações familiares, transformações sociais e questões contemporâneas.
Entre os destaques está Cartum, documentário dirigido por Anas Saeed, Rawia Alha, Ibrahim Snoopy Ahmad e Timeea Mohamed Ahmed. O filme acompanha cinco personagens na capital do Sudão — entre eles uma funcionária do setor público, uma vendedora de chá, um voluntário de um comitê de resistência e dois meninos de rua — cujas histórias se cruzam em meio às revoluções de rua e à guerra civil. A sessão acontece em 11 de setembro, às 16h.
No dia seguinte, As Desvirtuosas, de Aïcha Chloé Boro, apresenta uma história ambientada no Burkina Faso, tendo como pano de fundo o avanço jihadista. A protagonista, Natie, descobre que a avó foi obrigada a se casar com um homem que não amava e passa a buscar uma forma de reparar esse passado. O filme será exibido em 12 de setembro, às 18h.
Já O Pescador, de Zoey Martinson, leva o público a Gana em uma comédia de fantasia protagonizada por Atta Oko, um pescador tradicional que, depois de ser obrigado a se aposentar, encontra um peixe falante e parte para uma aventura em direção a Acra. A produção será exibida em 13 e 16 de setembro.
Ancestralidade, espiritualidade e memória também estão presentes
Para o público interessado nas culturas africanas e nas relações entre tradição, memória e contemporaneidade, a programação oferece caminhos particularmente instigantes.
Em Cabra, curta queniano dirigido por Judy Kibinge, uma experiência aparentemente cotidiana em uma fazenda desencadeia visões relacionadas a uma dívida ancestral. A obra integra a sessão de curtas de gênero do dia 11, ao lado de produções do Quênia, Nigéria, Senegal e Ruanda.
Outro destaque é O Despertar de Anam, do Quênia, que acompanha uma carpideira profissional treinada para invocar a Morte e negociar a passagem dos mortos. Ao realizar seu primeiro ritual sozinha, ela acaba confrontada com segredos ligados à própria história familiar. A sessão está marcada para 13 de setembro, às 18h.
Também chama atenção Guardião dos Mundos, documentário franco-tunisiano dirigido por Leila Chaibi. A produção acompanha Hassan, homem que há quatro décadas vive em um cemitério nas colinas de Jellaz, na Tunísia, observando simultaneamente o universo dos mortos e o cotidiano dos vivos.
Da memória colonial às lutas do presente
A programação também estabelece pontes entre passado e presente. Em Nome, do cineasta guineense Sana Na N'Hada, a história revisita a luta contra o exército colonial português entre o final dos anos 1960 e a década de 1970. O filme será exibido em 16 de setembro, às 16h, e combina memória histórica, relações pessoais e elementos de dimensão espiritual.
No encerramento da mostra, em 17 de setembro, às 18h, será exibido Independência Hoje, de Abdou Lahat Fall. O documentário acompanha, entre 2019 e 2024, quatro militantes do movimento cidadão FRAPP, no Senegal, em suas lutas contra a corrupção, as injustiças sociais e as influências neocoloniais.
Outro título que dialoga diretamente com questões sociais é Crocodilo, de The Critics e Pietra Brettkelly. O documentário acompanha dois irmãos em Kaduna, na Nigéria, que transformam o próprio quintal em uma sala de cinema e, utilizando um smartphone e poucos recursos, produzem filmes que acabam alcançando telas internacionais. A obra será exibida em 14 de setembro, às 18h.
Uma oportunidade para conhecer outras Áfricas
Mais do que uma seleção cinematográfica, a Mostra de Cinemas Africanos oferece ao público carioca a possibilidade de entrar em contato com diferentes formas de narrar o continente africano. São histórias sobre ancestralidade, pertencimento, identidade, colonialismo, racismo, relações familiares, espiritualidade, política, juventude, gênero, memória e resistência, contadas por cineastas de diferentes gerações e contextos.
A iniciativa também reforça a importância de ampliar a circulação, no Brasil, de produções cinematográficas africanas que muitas vezes permanecem distantes do circuito comercial. Ao ocupar uma instituição cultural de grande circulação no centro do Rio, esses filmes encontram novos públicos e ajudam a construir outras perspectivas sobre os países e sociedades do continente.
Para o AxéNews, a mostra ganha ainda uma dimensão especial: conhecer o cinema produzido em África é também uma forma de ampliar o olhar sobre ancestralidade, culturas negras e as múltiplas experiências dos povos africanos, evitando que a relação entre Brasil e África seja reduzida apenas ao passado histórico da diáspora.
Serviço
Mostra de Cinemas Africanos 2026
Quando: 10 a 17 de setembro de 2026
Onde: CCBB Rio de Janeiro – Rua Primeiro de Março, 66, Centro
Classificação: conforme a sessão, com filmes indicados para 14 e 16 anos
Entrada: gratuita
Ingressos: retirada a partir das 9h no dia de cada sessão.

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