Jornalistas indígenas lançam manual inédito para orientar a comunicação sobre os povos originários
- há 1 dia
- 2 min de leitura
A publicação é resultado de cerca de um ano e meio de trabalho

✅ 10/8/2026 | 19:47
O Manual de Jornalismo Indígena Poranga Marandúa foi apresentado nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília, como uma publicação inédita voltada à comunicação sobre os povos indígenas. A obra reúne conceitos, orientações e princípios elaborados a partir das experiências e perspectivas dos próprios povos originários.
A publicação é resultado de cerca de um ano e meio de trabalho desenvolvido pela Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), com a participação de representantes de mais de 40 povos indígenas. Para a coordenadora-geral da entidade, Luciene Kaxinawá, a diversidade presente na construção do manual é um dos principais diferenciais da iniciativa.
“Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias”, reforça.
A primeira edição da publicação passou por edição e revisão da Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e pode ser consultada gratuitamente pela internet. Para os integrantes da Abrinjor, o lançamento representa uma conquista importante. O próprio nome da publicação, Poranga Marandúa, significa “boa notícia” na língua Nheengatu, pertencente à família Tupi-Guarani.
A proposta é que o manual também seja utilizado como instrumento educativo e de formação. A avaliação é da jornalista indígena pioneira e comunicadora do Inka, Sônia Kaingáng.
“A gente precisa destacar que chegamos aqui pela via da educação. Nós somos brasileiros e temos visto que muitos brasileiros querem uma via que não é a da educação”, destaca.
Comunicação antirracista
A necessidade de ampliar a presença dos povos indígenas na formação jornalística também foi destacada pela pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré. Segundo ela, profissionais formados em universidades e cursos de jornalismo ainda podem reproduzir abordagens que contribuem para apagar ou distorcer a presença indígena na sociedade brasileira.
Nesse sentido, o manual surge também como uma possibilidade de contribuir para a transformação dos conteúdos ensinados nas instituições de ensino.
“Essa é uma grande oportunidade que a gente oferece para os currículos, para as ementas dos cursos de jornalismo, que inclua esse manual como uma ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais."
A publicação também pretende estimular uma maior participação de jornalistas indígenas nos espaços de comunicação das organizações e dos próprios movimentos indígenas. Para Samela Sateré Mawé, assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o manual pode contribuir para abrir novos caminhos e fortalecer o protagonismo indígena na produção de informação.
“Esse manual é uma porta que vai se abrir para dentro do movimento indígena que vai se abrir para os jornalistas indígenas ocupando esses espaços, porque ninguém melhor que a gente para falar sobre a gente”, conclui Samela.
A iniciativa reforça, assim, a importância de uma comunicação construída com os povos indígenas, e não apenas sobre eles, valorizando suas línguas, territórios, conhecimentos, histórias e diferentes formas de interpretar e narrar o mundo.

.png)





Comentários