Fim de ano ou renovação de fé?
- WR Express

- 31 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Por: Pai Marcos

✅ 31/12/2025 | 10:54
O ano vai chegando ao fim e, com ele, surgem sentimentos que se misturam. Para muitos, é tempo de celebração, encontros, família e descanso. Para outros, especialmente filhos e consulentes, esse período pode trazer preocupação e um certo aperto no coração. O Terreiro entra em recesso e a pergunta aparece quase automaticamente: como seguir sem as giras, sem as entidades, sem o axé tão presente no dia a dia?
Esse sentimento nasce do vínculo, do afeto e da confiança construídos dentro da casa espiritual. Mas ele também nos convida a um entendimento mais profundo. O Terreiro é um organismo vivo. Ele é feito de corpos, mentes, histórias e espiritualidade. E, como tudo que é vivo, também precisa de pausa, cuidado e renovação.
Viver a fé fora do Brasil amplia ainda mais esse sentimento. Longe da terra onde a Umbanda nasceu e se fortaleceu, o Terreiro passa a ocupar um lugar que vai além do religioso. Ele se torna espaço de pertencimento, de memória e de reconexão com a ancestralidade. Para muitos filhos que vivem fora, os trabalhos espirituais ajudam a sustentar o equilíbrio emocional e espiritual em meio à imigração, à saudade e ao constante processo de adaptação. Manter esses fundamentos vivos, especialmente nos momentos de fechamento e transição do ano, é também afirmar que o axé atravessa fronteiras e continua cuidando, orientando e acolhendo, independentemente do território em que estejamos.
No TUEG, normalmente, entramos em recesso no período que antecede o Natal e retornamos em janeiro, na primeira ou segunda semana do ano. Esse tempo não representa afastamento da fé nem abandono espiritual. Pelo contrário. É um momento de recolhimento, organização interna e fortalecimento do trabalho.
O fechamento do ciclo e o cuidado com os filhos
Antes do recesso, temos um cuidado muito especial com nossos filhos. Realizamos o que chamamos de fechamento de corpo, um fundamento importante para que todos atravessem o período das festas com mais equilíbrio, proteção e consciência espiritual.
Essa preparação toda é realizada como forma de cuidado com nossos filhos, já que o fim do ano costuma ser delicado. Excessos se tornam mais frequentes. Bebida em demasia, alimentação desregulada, noites mal dormidas, emoções intensas. Tudo isso pode abrir brechas energéticas. Como sabemos, esse é o cenário ideal para que a espiritualidade inferior se aproveite dessas aberturas, especialmente quando encontra filhos de fé cansados, dispersos ou fragilizados.
Por isso, também realizamos a lavagem do Ori com um amaci preparado especialmente para os filhos do TUEG e cuidadosamente consagrado. Nesse momento, cada filho recebe no Ori as bênçãos de todos os Orixás, trazendo equilíbrio, proteção e direcionamento para atravessar esse período com mais firmeza e segurança.
Verdade, direcionamento e preparação para o novo ciclo
Nesse mesmo dia, vivemos também um momento muito significativo para a casa: a conversa com o Sr. Exu Caveira. Para alguns, especialmente os filhos mais novos, esse momento gera apreensão. Mas é importante afirmar com toda clareza que o Sr. Exu Caveira é um guia de luz; ele não vem para humilhar, oprimir ou diminuir ninguém, mas, sim, para falar a verdade com responsabilidade.
Neste trabalho de encerramento, o Sr. Caveira faz uma leitura espiritual do ano que se encerra e, quando necessário, chama a atenção para atitudes, escolhas e caminhos. Sempre com respeito, firmeza e propósito educativo. É um momento de aprendizado, alinhamento e preparação para o ciclo que se inicia.
Outra tradição forte do TUEG no final do ano é a revelação do Orixá dos filhos. Através do jogo de búzios e de uma cabala específica, confirmo ou não o Orixá de cabeça e o Orixá adjunto. Às vezes, o Orixá muda. A espiritualidade é viva, dinâmica e sabe exatamente o que cada filho precisa em cada fase da vida.
Costumo dizer sempre que não existe obrigação. Ninguém precisa jogar búzios comigo. Esse é um passo que deve acontecer quando tocar o coração. Afinal, antes de qualquer confirmação, somos filhos de todos os Orixás. Mas quando você passa a conhecer o seu Orixá de cabeça e o seu adjunto, algo se reorganiza. A vida ganha mais clareza, mais sentido. Aprende-se a caminhar em sintonia com aquela força, e isso transforma a experiência espiritual e pessoal.
Orixá cuida. Orixá sabe. Orixá direciona. E Orixá impulsiona cada filho para o caminho que precisa seguir.
Esse é o nosso fim de ano no TUEG. Um tempo de fechamento, cuidado, proteção, aprendizado e preparação para o novo ciclo que se aproxima.
E no seu Terreiro, como são vividos os fundamentos e os cuidados espirituais nesse período?
Muito axé da família TUEG para todos vocês e também para os amigos do Axé News. Um ótimo final de ano, um Natal de paz e um Ano Novo de caminhos abertos.
Pai Ogum abençoe e conduza cada passo. Motumba e muito axé.

Pai Marcos
Pai Marcos, fundador e zelador do Terreiro de Umbanda Estrela Guiada UK - TUEG UK, é um homem com uma rica experiência no mundo espiritual. Desde cedo, teve a oportunidade de explorar diversas vertentes, como o Catolicismo, Kardecismo, Mesa Branca, Reiki, Umbanda e Umbandaime. Essa jornada lhe proporcionou um vasto conhecimento e uma visão abrangente sobre diferentes práticas e filosofias espirituais... [+ informações de Pai Marcos]
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