Filósofas Negras Brasileiras
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Por: Gisele Rose

✅ 25/4/2026 | 18:05
Ao longo dos últimos anos vemos a publicação e maior visibilidade de mulheres brasileiras negras, tanto na militância política como na academia, esse avanço entre muitas se deve (entre muitas questões) a pressão dos movimentos sociais e às ações afirmativas, sendo assim, a temática sobre a invisibilidade das filósofas negras brasileiras têm ganhado um certo destaque, pois no imaginário popular, não é raro que a primeira imagem associada a um filósofo seja a de um homem branco de barbas brancas, com um visual que remete à Grécia Antiga.
A colonialidade criou uma série de desqualificações e hierarquizações raciais, culturais, religiosas, sociais e de gênero , as quais iniciaram o processo de epistemicídio caracterizado pelo ato de inferiorizar, omitir ou apagar o saber e produção de conhecimento científico-filosófico de todo um povo, mais especificamente aplicado aos saeres dos povos marginalizados e das minorias, servindo também para proteger a hegemonia eurocentrada.
É perceptível que a filosofia se desenvolveu enquanto área de conhecimento pautada na generificação e no embranquecimento, pois ao observarmos a maior parte das pubicações e materiais didáticas a presença de mulheres negras.
Fundamentado no esforço coletivo, impulsionado, sobretudo, pelas mulheres pesquisadoras/filósofas que realizam com suas próprias mãos uma transformação gradual na Filosofia e, mesmo sabendo que as mulheres sempre estiveram presentes nas produções de conhecimento cientíico-filosófico durante toda sua história, a reivindicação do reconhecimento não somente das contribuições, mas também da promoção de conhecimento intelectual das pensadoras femininas se dá também com a exigência da garantia da diversidade na produção do conhecimento que enriquece e mobiliza as preocupações filosóficas no Brasil.
As filósofas negras brasilerias têm sido fundamentais para a construção de um pensamento crítico que desafia as narrativas eurocêntricas dos cânones dominantes na filosofia, pois elas abordam questões sobre racismo, sexismo, classismo e principalmente construção de conhecimentos, propondo uma reavaliação das estruturas sociais e culturais que perpeturam opressões.
Através de suas obras, filósofas negras brasileiras como: Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Djamila Ribeiro são expoentes fundamentais para o pensamento crítico, elas não apenas contribuem para a filosofia, mas também para a luta por justiça social e igualdade no Brasil, sendo essenciais para entender a interseção entre filosofia, feminismo e luta negra desconstruindo desigualdades estruturais.

Gisele Rose
Filósofa e escritora. Professora da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ). Mestra em Relações étnico raciais pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ), Especialista em Energia e Sociedade no Capitalismo Contemporâneo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Graduada em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)... [+ informações de Gisele Rose]
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