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Estácio de Sá está na briga pelo título e transformou a Sapucaí no Terreiro de Tatá Tancredo

  • há 20 horas
  • 4 min de leitura

Por: Pai Caio

Foto: Reprodução

16/02/2026 | 18:33


A Marque s de Sapucaí na o foi apenas um palco na noite deste sa bado, 14 de

fevereiro; foi tambe m um ponto riscado. Sob as luzes da passarela que o pro prio

homenageado ajudou a idealizar, a Esta cio de Sa entregou um desfile histo rico,

resgatando da invisibilidade a figura mí tica de Tata Tancredo, o "Papa Negro da

Umbanda".


Em uma celebraça o que uniu o rigor acade mico a força do axe , o Berço do Samba

provou que a tecnologia mais sofisticada do mundo e a ancestralidade, recontando

a histo ria do Rio de Janeiro pela o tica afrocarioca — do surgimento das federaço es

a consolidaça o do Re veillon de Copacabanal.



O Poder da Curimba: O Show de Mestre Chuvisco

Se havia alguma du vida sobre o coraça o da escola, ela foi dissipada no primeiro

toque do surdo. A bateria Medalha de Ouro, sob o comando magistral de Mestre

Chuvisco, na o apenas tocou; ela evocou.


As bossas foram o ponto alto da noite, executadas com uma precisa o matema tica e

uma alma litu rgica. O pu blico veio abaixo quando a bateria sustentou o toque do

Congo de Ouro e mergulhou na Cabula com uma cade ncia impeca vel. Foi uma aula

de ritmo que transformou o asfalto em solo sagrado, honrando a herança rí tmica

deixada por Tancredo e a pro pria esse ncia rí tmica da primeira escola de samba do

Brasil.


Um Cortejo de Autoridades, Ancestralidade e Fé

O carnavalesco Marcus Paulo demonstrou uma compete ncia rara ao equilibrar

densidade histo rica e clareza visual. A narrativa foi encarnada por figuras que

guardam a memo ria do mestre:


• O Segundo Carro: uma verdadeira gira de axe na Avenida. Pais e ma es de

santo exaltaram a Umbanda defendida por Tancredo. O destaque foi a

presença emocionante de familiares do Tata e do Baba Ivanir dos Santos,

intelectual orga nico responsa vel pela primeira tese de doutorado sobre

Tancredo e pelo posfa cio da obra Umbanda de Luanda à Pedra do Sal (Editora

Bantu).


• O Terceiro Carro: reuniu o conhecimento e a voz que desenha a religia o. O

pesquisador Diego Ucho a, cujas publicaço es sobre a vida e obra do Tata foram

pilares para o enredo, desfilou ao lado da "voz de ouro da Umbanda", Tia o

Casemiro, cujos pontos ecoaram no imagina rio da plateia.


• O encerramento: em um gesto de profunda revere ncia, o desfile terminou ao

lado do Carnavalesco e do Departamento Cultural, com a presença de Ma e

Fa tima, atual guardia da CEUB (Confederaça o Espí rita Umbandista do Brasil),

fundada por Tancredo na de cada de 1950 e responsa vel pela perpetuaça o da

ico nica festa de Iemanja em Copacabana.


Uma Gestão de Zelo e Tradição

O sucesso deste desfile reflete diretamente uma gesta o profissional e apaixonada. O

presidente Edson Marinho merece todos os louros pelo cuidado e zelo

inquestiona veis com a escola, garantindo que o pavilha o vermelho e branco

brilhasse com dignidade. Da mesma forma, o Departamento Cultural da Esta cio,

representada na figura da diretora Simone, foi fundamental, demonstrando um

acolhimento e uma responsabilidade admira veis com a pesquisa histo rica e o

impacto que ajudou a estabelecer pela cidade com o enredo, ale m do cuidado com

os convidados em todos os momentos.


Mas o verdadeiro combustí vel veio do Morro do Sa o Carlos. A comunidade fez valer

a tradiça o de ser a casa de Tata Tancredo. As fantasias e alegorias impeca veis

mostraram que a Esta cio e gigante e so ela poderia dar a dimensa o exata de um í cone

ta o necessa rio. A força que desce a comunidade e ocupa a arquibancada com a

torcida organizada e esse samba, que leva tambe m a assinatura de Luiz Anto nio

Simas, foi o casamento que a Sapucaí merecia para 2026.


A pioneira veio com samba, pote ncia, comunidade e emocionando em uma noite de

coere ncia e compete ncia. Tudo para acessar o grupo especial no desfile de 2027.

"

A Esta cio hoje na o desfilou; ela manifestou uma identidade. Trouxe Tata Tancredo

do silenciamento para o protagonismo no palco que ele mesmo projetou."


Kolofe , Sarava Omoloko !



Bàbé Ifálóba Ifálósèyí - AxéNews

Pai Caio

Caio Bayma nasceu na Baixada Fluminense, Nilópolis, foi morar no Morro dos Macacos por conta da proximidade com o trabalho, faculdade e atuação no movimento social, hoje reside no centro do Rio de Janeiro. Graduando em Matemática, integra a equipe do Observatório Adolescente (OPPA /UERJ) no eixo de religiosidade e atuou como primeiro extensionista na Superintendência de Saberes Tradicionais da UFRJ.   [+ informações de Pai Caio]


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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.


 
 
 

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