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A solidão da mulher preta e o ensinamento deixado por Oxum

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Por: Cibele Martins

✅ 27/8/2026 | 11:11


A solidão da mulher preta não é só sobre a falta de companhia.

É uma solidão repleta de camadas que atravessam gerações.

É como carregar o mundo nas costas e receber o título da "mulher preta guerreira e forte, que dá conta de tudo" mas um título que apenas traduz este peso .

Por cuidar de todo mundo, muitas vezes, essa mesma mulher não tem quem cuide dela. Até mesmo a validação dos seus bem feitos é apontada pela estatística a validação que chega por último.

Faz parte dessa solidão; estar rodeada de pessoas e ainda se sentir só, por que poucos entendem as esferas de sua luta e trajetória.

É o corpo desejado mas não o amado. A voz que precisa gritar três vezes mais alto para ser ouvida e ainda assim; ser intitulada de "mulher raivosa" mesmo em seus pedidos por socorro.

Essa solidão é exaustiva. Mas a ancestralidade nos deixou alguns caminhos para atravessar e romper este paradigma .



Conta um itan que Oxum, a Yabá das águas doces, do amor e da beleza, também conheceu a solidão.

Ela vivia no palácio, cercada de luxo, ouro e riqueza, mas se sentia sozinha. As pessoas viam só sua a beleza externa, ninguém via a profundeza de sua alma.

Até que um dia Oxum foi para o rio. Se banhou. Olhou seu reflexo nas águas e se enfeitou para si mesma.

Ali ela entendeu que antes de ser amada pelo mundo, era preciso se amar em primeiro lugar.

Desse encontro; dela com ela mesma nasceu uma forma de autocuidado.

Oxum não esperou que a tirassem da solidão. Ela se escolheu. Se cuidou. Se adornou e se reciclou intimamente.

E quando se preencheu por dentro, o mundo respondeu aos seus comandos. O amor e a companhia vieram por si.

Isso nos diz que a solidão da mulher preta é dolorosa mas não precisa ser uma morada.

Oxum nos lembra três coisas.

Reserve tempo para se perceber, se cuidar, se ouvir.

Se ame primeiro; amor próprio não é sobre ego ou vaidade.

É autopreservação.

É a base do cuidado.


Organize sua rede de apoio feminino. Nós mulheres não nascemos para caminhar sozinhas pois tudo provêm do feminino. Que tenhamos o terreiro como núcleo de fortalecimento. tenhamos as rodas para compartilhar esses saberes e ensinamentos, existe uma irmandade natural para nos apoiar e nos acolher quando nos damos as mãos.

A solidão ensina , mas as águas de Oxum oferecem uma espécie de cura.

E quando uma de nós se levanta e se aproria desse poder, ela abre caminho para que todas as outras também se encontrem através deste olhar.

Nenhuma de nós está sozinha e quando você se olha; percebe que há saberes e riquezas dentro de você capazes de mover toda a estrutura ao seu redor.




Cibele Martins - AxéNews

Cibele Martins

Iniciei minha jornada no culto tradicional de candomblé para Oyá, pela nação do Efon, em 2014. Filha do respeitado líder religioso Babalorixa Sr. Michel de Odé e  pertencente à hierarquia do Asé Egbe Efon Odé Bilori, localizado no distrito de Terra Preta – Mairiporã/SP. Asé reconhecido e interligado diretamente ao tradicional Ilé Ògún Anaweji Ìgbele Ni Oman, também conhecido como Àse Pantanal, localizado em Duque de Caxias-RJ, sob a diligência religiosa da sacerdotiza Sra. Iya Maria de Xango, a Matriarca da Nação de Efon.   [+ informações de Cibele Martins]



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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.



 
 
 

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