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A pressa na caminhada espiritual: o que você perde ao dar um passo maior do que a perna na sua trajetória de desenvolvimento

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • há 21 horas
  • 5 min de leitura

Por: Pai Marcos

✅ 06/02/2026 | 19:29


Vivemos um tempo de muita pressa. Pressa para chegar, para conquistar, para pertencer. Infelizmente, essa mesma pressa tem atrapalhado a caminhada espiritual de muita gente. Na Umbanda, quando alguém tenta dar um passo maior que a perna, o risco não é apenas tropeçar, mas se machucar espiritualmente, pulando etapas importantes e comprometendo um processo que exige tempo, preparo e responsabilidade. Assim, uma jornada que deveria ser marcada por amor, paciência, aprendizado, troca e plenitude pode acabar se tornando confusa e dolorosa.


Essa é uma dificuldade presente em terreiros e na vivência mediúnica em diferentes partes do mundo. Hoje, quero compartilhar um pouco mais da nossa realidade aqui no TUEG. Como você já sabe, nossos trabalhos acontecem em Londres, uma cidade profundamente diversa, o que também se reflete na nossa corrente. Recebemos pessoas vindas de diferentes estados do Brasil e de outros países da Europa. Cada uma chega trazendo na bagagem experiências distintas com a Umbanda, expectativas formadas por vivências anteriores, histórias ouvidas, conteúdos da internet, redes sociais ou até mesmo pelas ideias que criaram sobre o que acreditam que a espiritualidade deveria ser.



É exatamente nesse ponto que precisamos parar, respirar e refletir com honestidade: aquilo que você aprendeu ou acredita está, de fato, alinhado com os fundamentos da Umbanda?


Aqui no TUEG, é comum recebermos pessoas que ficam verdadeiramente felizes quando descobrem que existe Umbanda em Londres. Já nas primeiras visitas, muitas se empolgam e querem se comprometer de imediato: vêm uma, duas, três vezes e já desejam entrar para a corrente. Outras, mesmo que não tenham a intenção de se tornar membro do TUEG, frequentam a assistência e, a cada consulta, querem respostas rápidas: quem são seus Orixás, quais entidades têm, qual o nome delas, quando vão incorporar, quando vão se desenvolver. Há ainda quem chegue afirmando que sonhou com Caboclo, Exu ou Pombagira que já teria revelado um nome, buscando apenas confirmação.


Querem guia, apetrecho, nome, cargo, título. Tudo rápido. Sem preparo, sem vivência, sem estudo dos fundamentos. Mas a espiritualidade não caminha no ritmo da ansiedade humana.


Para ser, antes, é preciso aprender

Há por aí uma crença de que alguns médiuns e mediunidades possam ser tão fortes que, de repente, quase do dia para noite, estão prontos para trabalhar – como se tivessem um dom maior e melhor que outras pessoas. Sim, isso pode acontecer, mas casos assim são uma verdadeira exceção à regra. A imensa maioria das pessoas passa a vida toda trabalhando, aprendendo e desenvolvendo a espiritualidade, inclusive os pais e mães de santo. Não há um momento em nossas vidas terrenas em que possamos dizer “pronto, agora aprendi tudo o que precisava e estou 100% pronto”. Se até mesmo as entidades que nos acompanham seguem em desenvolvimento e aprendizado, por que é que com a gente seria diferente?


Com isso, o que quero dizer é que existe uma diferença muito grande entre vontade sincera de aprender e pressa de querer ser. A Umbanda é chão, é raiz, é tempo. Não é uma corrida. Não é sobre chegar primeiro, é sobre chegar inteiro. Como disse o Caboclo Mirim: “A Umbanda é para todos, mas nem todos são para a Umbanda”. Uma frase tão simples que se aplica justamente a quem chega ao terreiro em busca de respostas e soluções rápidas. A pressa, nesse caso, não é só inimiga da perfeição; é a receita perfeita para que as pessoas fiquem frustradas e joguem tudo para o alto, para que se desencantem com a religião e se afastem.


Desenvolver uma entidade não é apertar um botão. Incorporar não é um troféu. Guia não é enfeite. Apetrecho não é fantasia. Tudo isso carrega responsabilidade, compromisso, preparo espiritual e, principalmente, maturidade emocional.


Quando alguém tenta dar o passo maior que a perna, quem paga o preço, muitas vezes, é o próprio médium. Na Umbanda, o tempo ensina. A casa observa. A espiritualidade conduz. Primeiro vem o silêncio, depois o entendimento. Primeiro vem o aprendizado, depois a vivência. Primeiro vem o servir, depois o fazer parte.


Como nós lidamos com a pressa no TUEG

Aqui no TUEG, lidamos diariamente com histórias, expectativas e tempos muito diferentes. Parte essencial do nosso trabalho é orientar, acalmar e alinhar. Muitas vezes, precisamos dizer “não”, não como uma forma de rejeição mas, sim, de cuidado. Precisamos dizer “ainda não” como um ato de amor, não de atraso.


Hoje, nós temos regras, etapas e procedimentos bem detalhados e específicos para quem deseja fazer parte da casa. Cada pessoa que entra precisa, primeiramente, estudar nossas apostilas e trabalhar nas atividades de apoio que dão sustentação ao trabalho, como nossa lojinha, a distribuição de senhas e outras atiidades. Dessa forma, nós também damos tempo e estrutura aos novos médiuns para que tenham certeza de que estão preparados e querem se comprometer. Também ensinamos que, se do lado de fora, eles têm profissões, rendas, histórias e realidades diferentes, aqui, do lado de dentro, somos todos iguais e cada colaboração é igualmente importante. O senso de humildade e de comunidade é essencial para fazer parte da nossa corrente.


Dessa forma, nós também reiteramos que, no terreiro, as coisas não acontecem na velocidade da vida moderna. A caminhada espiritual também ensina a desacelerar, a observar e a amadurecer no tempo certo. A espiritualidade é sábia e reconhece com clareza quem chega movido por amor, compromisso e humildade, e quem busca apenas títulos ou respostas imediatas.


Caminhada espiritual não é sobre quantidade de entidades nem sobre rapidez no desenvolvimento. É sobre caráter, postura, humildade e constância. É compreender que cada pessoa tem seu tempo, seu processo e o seu lugar.


A Umbanda segue sendo escola. E toda escola exige paciência, disciplina e respeito ao tempo de aprender.


Em resumo, mminha mensagem de hoje é: quem caminha com pressa, tropeça. Quem caminha com consciência, chega.


Se este texto tocou você, se fez sentido ou se conhece alguém que precise refletir sobre isso, compartilhe.


Agradeço à equipe do Axé News e a todos que seguem caminhando conosco! Que 2026 seja mais um ciclo de aprendizado e trabalho. Que este novo ano seja de crescimento espiritual e humano, de prosperidade com equilíbrio e, acima de tudo, de fé para atravessar também os dias mais difíceis.


Pai Ogum abençoe e conduza cada passo.

Motumbá e muito axé.



Adriano Cabral - AxéNews

Pai Marcos

Pai Marcos, fundador e zelador do Terreiro de Umbanda Estrela Guiada UK - TUEG UK, é um homem com uma rica experiência no mundo espiritual. Desde cedo, teve a oportunidade de explorar diversas vertentes, como o Catolicismo, Kardecismo, Mesa Branca, Reiki, Umbanda e Umbandaime. Essa jornada lhe proporcionou um vasto conhecimento e uma visão abrangente sobre diferentes práticas e filosofias espirituais... [+ informações de Pai Marcos]  



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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