A Importância e o Poder que o uso do Turbante traduz
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Por: Cibele Martins

✅ 05/04/2026 | 08:45
Os turbantes são muito mais do que simples acessórios de moda; eles carregam um significado profundo e um simbolismo que atravessa culturas, tradições e histórias. Desde as antigas civilizações até os dias atuais, o turbante tem sido uma expressão de identidade, resistência e empoderamento.
Historicamente, o uso de turbantes está presente em diversas tradições e culturas; incluindo a africana, indiana, árabe e até mesmo na moda ocidental. Cada estilo de turbante conta uma história única, refletindo a herança cultural de quem o usa. Para muitas mulheres afrodescendentes, o turbante se tornou um símbolo de resistência contra a opressão e a discriminação racial. Durante o processo de colonização em 1786 foi imposta a lei do Tignon que proibia mulheres negras de mostrarem seus cabelos que exibiam penteados com acessórios belíssimos conforme a tradição africana. A imposição do uso de lenços, causava a ideia de que esta mulher não oferecia beleza suficiente em comparação a mulher branca e com isso limitava sua atratividade, a excluindo de qualquer possibilidade de ser escolhida ou validada como pretendente a esposa principalmente por homens brancos. As mulheres negras por sua vez, transformaram e revolucionaram essa proibição passando a usar o Tignon (nome dado para a lei) como identidade de beleza e reafirmação cultural quebrando o estigma de tentativa de apagamento e invalidação de sua beleza. Hoje vitoriosamente visto como uma identidade e referência, celebra a resistência e reverência à ancestralidade.
O poder do turbante reside na sua capacidade de transformar a percepção da própria personalidade. Ao usá-lo, muitas mulheres se sentem empoderadas, como se estivessem vestindo uma armadura que as protege das críticas e dos padrões impostos pela sociedade. O turbante assim como as tranças permite que cada mulher expresse sua individualidade, criatividade e estilo pessoal. Ele pode ser usado de várias maneiras, adaptando-se a diferentes ocasiões e estados de espírito.
Além disso, o turbante é um símbolo de união e solidariedade entre mulheres. Em muitos espaços comunitários, o ato de amarrar um turbante se torna um ritual coletivo onde mulheres compartilham experiências, conselhos e apoio mútuo. Esse gesto simples fortalece laços afetivos e promove um sentido de pertencimento.
Em contextos religiosos e espirituais, os turbantes também têm significados profundos. Em algumas tradições africanas e no candomblé, por exemplo, usar um turbante pode ser uma forma de honrar os orixás ou expressar devoção. Ele se torna um elemento sagrado que conecta a pessoa às suas raízes espirituais.
Nos últimos anos, os turbantes ganharam destaque nas passarelas e nas mídias sociais, desafiando estereótipos sobre beleza e moda. Celebridades e influenciadoras têm utilizado turbantes para promover mensagens de aceitação e amor-próprio. Essa visibilidade ajuda a desconstruir preconceitos relacionados ao cabelo afro e à estética negra, celebrando a diversidade em todas as suas formas.
Embora os turbantes sejam frequentemente associados ao empoderamento feminino, é crucial reconhecer que seu uso deve ser respeitoso e consciente. Apropriação cultural é uma questão delicada; portanto, é fundamental que aqueles que não pertencem à cultura afro-brasileira ou africana entendam a importância histórica dos turbantes antes de adotá-los como uma tendência.
Em suma, os turbantes são muito mais do que acessórios; eles são símbolos poderosos que representam identidade, resistência e empoderamento. Ao usá-los, as mulheres não apenas celebram sua herança cultural, mas também desafiam normas sociais e reafirmam seu lugar no mundo. O turbante é uma afirmação visual da força feminina — um lembrete de que cada mulher tem o direito de expressar sua beleza única com orgulho.
Podemos relativizar esses valores aos nossos costumes e tradições no Candomblé. Assim se mantêm viva a importância histórica dos hábitos e as referência das conquistas e direitos adquiridos por nossos antepassados.

Cibele Martins
Iniciei minha jornada no culto tradicional de candomblé para Oyá, pela nação do Efon, em 2014. Filha do respeitado líder religioso Babalorixa Sr. Michel de Odé e pertencente à hierarquia do Asé Egbe Efon Odé Bilori, localizado no distrito de Terra Preta – Mairiporã/SP. Asé reconhecido e interligado diretamente ao tradicional Ilé Ògún Anaweji Ìgbele Ni Oman, também conhecido como Àse Pantanal, localizado em Duque de Caxias-RJ, sob a diligência religiosa da sacerdotiza Sra. Iya Maria de Xango, a Matriarca da Nação de Efon. [+ informações de Cibele Martins]
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