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A Importância e o Poder que o uso do Turbante traduz

  • há 14 horas
  • 3 min de leitura

Por: Cibele Martins

✅ 05/04/2026 | 08:45


Os turbantes são muito mais do que simples acessórios de moda; eles carregam um significado profundo e um simbolismo que atravessa culturas, tradições e histórias. Desde as antigas civilizações até os dias atuais, o turbante tem sido uma expressão de identidade, resistência e empoderamento.


Historicamente, o uso de turbantes está presente em diversas tradições e culturas; incluindo a africana, indiana, árabe e até mesmo na moda ocidental. Cada estilo de turbante conta uma história única, refletindo a herança cultural de quem o usa. Para muitas mulheres afrodescendentes, o turbante se tornou um símbolo de resistência contra a opressão e a discriminação racial. Durante o processo de colonização em 1786 foi imposta a lei do Tignon que proibia mulheres negras de mostrarem seus cabelos que exibiam penteados com acessórios belíssimos conforme a tradição africana. A imposição do uso de lenços, causava a ideia de que esta mulher não oferecia beleza suficiente em comparação a mulher branca e com isso limitava sua atratividade, a excluindo de qualquer possibilidade de ser escolhida ou validada como pretendente a esposa principalmente por homens brancos. As mulheres negras por sua vez, transformaram e revolucionaram essa proibição passando a usar o Tignon (nome dado para a lei) como identidade de beleza e reafirmação cultural quebrando o estigma de tentativa de apagamento e invalidação de sua beleza. Hoje vitoriosamente visto como uma identidade e referência, celebra a resistência e reverência à ancestralidade.



O poder do turbante reside na sua capacidade de transformar a percepção da própria personalidade. Ao usá-lo, muitas mulheres se sentem empoderadas, como se estivessem vestindo uma armadura que as protege das críticas e dos padrões impostos pela sociedade. O turbante assim como as tranças permite que cada mulher expresse sua individualidade, criatividade e estilo pessoal. Ele pode ser usado de várias maneiras, adaptando-se a diferentes ocasiões e estados de espírito.


Além disso, o turbante é um símbolo de união e solidariedade entre mulheres. Em muitos espaços comunitários, o ato de amarrar um turbante se torna um ritual coletivo onde mulheres compartilham experiências, conselhos e apoio mútuo. Esse gesto simples fortalece laços afetivos e promove um sentido de pertencimento.


Em contextos religiosos e espirituais, os turbantes também têm significados profundos. Em algumas tradições africanas e no candomblé, por exemplo, usar um turbante pode ser uma forma de honrar os orixás ou expressar devoção. Ele se torna um elemento sagrado que conecta a pessoa às suas raízes espirituais.


Nos últimos anos, os turbantes ganharam destaque nas passarelas e nas mídias sociais, desafiando estereótipos sobre beleza e moda. Celebridades e influenciadoras têm utilizado turbantes para promover mensagens de aceitação e amor-próprio. Essa visibilidade ajuda a desconstruir preconceitos relacionados ao cabelo afro e à estética negra, celebrando a diversidade em todas as suas formas.


Embora os turbantes sejam frequentemente associados ao empoderamento feminino, é crucial reconhecer que seu uso deve ser respeitoso e consciente. Apropriação cultural é uma questão delicada; portanto, é fundamental que aqueles que não pertencem à cultura afro-brasileira ou africana entendam a importância histórica dos turbantes antes de adotá-los como uma tendência.


Em suma, os turbantes são muito mais do que acessórios; eles são símbolos poderosos que representam identidade, resistência e empoderamento. Ao usá-los, as mulheres não apenas celebram sua herança cultural, mas também desafiam normas sociais e reafirmam seu lugar no mundo. O turbante é uma afirmação visual da força feminina — um lembrete de que cada mulher tem o direito de expressar sua beleza única com orgulho.


Podemos relativizar esses valores aos nossos costumes e tradições no Candomblé. Assim se mantêm viva a importância histórica dos hábitos e as referência das conquistas e direitos adquiridos por nossos antepassados.




Cibele Martins - AxéNews

Cibele Martins

Iniciei minha jornada no culto tradicional de candomblé para Oyá, pela nação do Efon, em 2014. Filha do respeitado líder religioso Babalorixa Sr. Michel de Odé e  pertencente à hierarquia do Asé Egbe Efon Odé Bilori, localizado no distrito de Terra Preta – Mairiporã/SP. Asé reconhecido e interligado diretamente ao tradicional Ilé Ògún Anaweji Ìgbele Ni Oman, também conhecido como Àse Pantanal, localizado em Duque de Caxias-RJ, sob a diligência religiosa da sacerdotiza Sra. Iya Maria de Xango, a Matriarca da Nação de Efon.   [+ informações de Cibele Martins]



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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.



 
 
 

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