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Por: Babalorixá Márcio de Jagun 13/05/2023 | 13:56 No mês de maio as Casas de Umbanda festejam os Pretos Velhos. Já os Barracões de Candomblé, dividem-se. Uns, aderem aos festejos. Outros, fazem questão de rejeitar as comemorações, alegando inexistir culto aos Pretos Velhos na Liturgia africana. Acho mais do que pertinente lançar algumas ponderações a respeito. Não resta sombra de dúvidas que o culto aos deuses africanos no Brasil (como já diferiam Pierre Verger e Roger Bastide) não é igual ao da África. E não foi apenas o Oceano Atlântico que proporcionou as distinções. Além da geografia, o tempo, a cultura, os aspectos sociais, os episódios históricos, os novos sentires, os novos olhares e a própria fauna e flora, contribuíram decisivamente para que várias alterações fossem realizadas no rito original. O que eu chamo de “releitura”. Nada engendrado, nem premeditado. Apenas ocorrido. Todavia, adaptado ou não; relido ou não, a organização sócio-religiosa que nós chamamos de Candomblé só existe no Brasil graças aos negros africanos de diversas etnias e a seus descendentes. Graças a eles. À alma deles. Naquela época, dizia-se que os “negros não tinham alma”. Mas hoje, há que se dizer: tinham, sim! Têm, sim! O Candomblé deve sua existência à alma deles! Dos “Pretos Velhos”, dos “Pretos Novos”, dos “Pretos”, dos velhos, dos novos. Negar a importância daqueles homens e mulheres sábios e briosos na formação do Candomblé, é negar novamente e preconceituosamente sua alma, seu espírito guerreiro, sua dignidade, sua força. Os negros africanos chegaram nesta terra distante em condições precárias, despojados de sua liberdade, família, bens e costumes. Mas não abandonaram sua religiosidade. Foram confinados em navios pútridos e em galpões inabitáveis. Separados dos seus, foram vendidos como animais em praça pública até serem finalmente jogados em senzalas onde eram misturados com outros desafortunados. Congoleses, angolanos, daomeanos, iorubanos, trabalhavam de sol a sol, sem direitos, sem reconhecimento.  A despeito de tudo, esse povo corajoso não deixou que se perdesse o único bem que lhes restara a salvo de seus algozes: sua crença. Em que pese o massacre físico e emocional, os escravos mantiveram acesa a chama da fé. Venceram a opressão, a dor física e o sofrimento moral. Apesar de proibidos de cultuar seus Deuses pela brutalidade dos feitores, encontraram no sincretismo com imagens de Santos católicos, uma forma de lograr os brancos e agradar aos seus ancestrais. Se hoje, séculos após, podemos livremente bater no peito e erguermos a voz para nos dizermos candomblecistas, devemos àquele Povo heróico, que conseguiu a proeza de, na condição de escravos, perpetuarem sua herança; manterem viva sua memória. O Candomblé deve sua alma a eles. O Candomblé tem a “alma” deles. Negar isso é negar novamente a alma dos negros. Os fundadores “dos Candomblés” são nossos ancestres, são nossos “ésà”. São nossos “mais velhos”. São nossos “Pretos Velhos”. Se do Benin, de Angola, do Congo, ou de Kétu. Não sei. Não sei em que terra, ou terreiro. Não sei. Sei que os quero por perto. Bem perto. Salve a alma deles! Adorei as almas! Salve Joaquim, Benedito, Roque, Maria Joana, Aninha, Senhora, Talabi, Salakó! Salve! Salve Menininha, Salve Stella, Salve Olga, Salve Beata! Salve as almas dos “Pretos”! Salve a viva alma dos “Velhos”! #marciodejagun Babalorixá Marcio de Jagun Márcio de Jagun é escritor e dicionarista especializado em gramática ioruba, autor de sete obras publicadas. Dentre elas, Orí a Cabeça como Divindade (Litteris, 2015). Contato: ori@ori.net.br

O Candomblé e os Pretos Velhos

Por: Babalorixá Márcio de Jagun

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Por: Babalorixá Márcio de Jagun 14/11/2023 | 06:38 Segundo Mario Filho, Zélio Fernandino de Morais teria recebido orientações de uma entidade de origem muçulmana (denominado “Orixá Malê” ou “imalê”), o qual seria um malaio muçulmano. Vale dizer que “imalê” era como os iorubas denominavam os muçulmanos. Em uma das fitas gravadas por Zélio, este teria dito que os punhais passaram a ser introduzidos nos símbolos e “pontos riscados” de Umbanda desde a manifestação de “orixá malê”, a partir de 1913. O próprio nome da religião Umbanda teria sido, inicialmente, Alabanda em homenagem ao seu orientador, o “orixá malê”. A versão foi confirmada por Leonardo Cunha, um dos bisnetos de Zélio, em palestra proferida em 21 de janeiro de 2022, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Segundo Cunha, atual dirigente da Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (primeira Casa de Umbanda fundada por Zélio Fernandino de Moraes, ainda em 1908), no início, o movimento não tinha uma nomenclatura própria. Apenas em 1913, Zélio resolveria batizar a iniciativa e teria experimentado três nomes: Tupi banda, Zâmbi banda e Ala banda. Em uma mistura do idioma bantu banda (lado) e do árabe Ala (Deus), Ala banda seria uma homenagem ao “orixá malê”. O nome definitivo “Umbanda” viria, posteriormente, de uma inspiração no sânscrito, unindo dois mantras e, significando, em tradução livre “a unidade do Todo”. A presença islâmica, na matriz religiosa africana, extrapolou a religião tradicional ioruba. Há indícios de que ela tenha se espraiado até as práticas da Umbanda.  Ao se referir à presença muçulmana no sudoeste da África, Verger (1992 [1966], p. 25) cita que: A infiltração dos mercadores muçulmanos em direção à Costa deve ser muito antiga. Sua presença em Uidá, foi ali notada pelo Chevalier des Marchais, que disse terem eles chegado àquele ponto em 1704. O fato de os autores dos séculos XVII e XVIII se referirem às vezes aos “sacerdotes de fetiches” como “marabouts” é também significativo. Marabu ou marabout, em inglês (em árabe: مُرابِط ; romanizado:  murābiṭ), é um líder religioso muçulmano, um mestre. Na África Ocidental, é um estudioso do Alcorão ou professor religioso. O termo também define homens santos que sobrevivem de esmolas, murshids sufis (“Guias”) ou líderes de comunidades religiosas. Termo de fonética bem parecida (“marabô”), ouve-se em espaços religiosos afro-brasileiros. Dentro de Terreiros de Umbanda, em pleno século XXI, podemos nos deparar com Entidades, em transe mediúnico, que se apresentam na falange do chamado “Povo de Rua”, como “Senhor Marabô” ou “Exu Marabô”. Estas entidades, inclusive, mencionam sua origem, fazendo alusões a um passado remoto, na antiguidade, sendo dotados de saberes aprendidos no Oriente. Este ponto de Exu Marabô, utilizado na Umbanda, faz menção a uma origem remota, uma ligação a velhas lendas e ainda a sabedoria de um mago: À meia noite, ao cair da madrugada Galo canta é alvorada pia itatuité Não sei de onde começou a caminhada Encruza, calunga, estrada, Venha de onde vier, Ele é um mago, o senhor das oferendas O homem das velhas lendas Que faz sangue gelar Ele é um bruxo que faz cura, faz feitiço Em macumba de catiço, ina, ina, mojubá Exu Marabô, Exu Marabô, Exu Marabô, Ele é elebara, é iaô (Informação verbal). De acordo com a tradição oral da Umbanda, Exu Marabô tem uma relação mítica com a Cabala. Como se sabe, a Cabala é um sistema filosófico associado ao judaísmo, portanto, judaísmo, islamismo e cristianismo possuem a mesma fonte originária. Por isso, são consideradas religiões abraâmicas. A Cabala também possui fortes ligações com o sufismo islâmico. Outra peculiaridade que aponta para uma interligação entre Exu Marabô e o Islã, é a tradição umbandista de associar esta Entidade ao òrìṣà Ṣàngó, exatamente aquele deus ioruba que era Rei de Ọ̀yọ́, o qual teria chegado à terra dos malês e adotado preceitos muçulmanos para si e seus herdeiros, como abordado no início deste capítulo. Apesar dessas formulações, que apontam uma integração plena e pacífica no modelo sincrético afro-islâmico, uma outra corrente de estudiosos indica que a presença do Islã na região ioruba causou prejuízos diretos à cultura originária daquela área. Autores, como Oladosu (2005) e Oladiti (2014), defendem que o Islã, como o cristianismo, travou uma disputa pela hegemonia cultural e religiosa na África Ocidental. Segundo eles, tal competição teria concorrido diretamente para o comprometimento da tradição ioruba.  Segundo os citados pesquisadores, haveria, ao menos, quatro argumentos dessa hipótese destrutiva: 1) A desvalorização da oralidade em detrimento da tradição escrita islâmica, ainda antes do colonialismo europeu. O estímulo à alfabetização em árabe, trazida pelos muçulmanos à região sudoeste da África, a pretexto de facilitar o comércio, teria dinamizado a islamização e prestigiado o uso da comunicação escrita; 2) O outro fator, que colaborou para tal cenário, foi a legitimação das práticas sociais já consolidadas, como a poligamia masculina. Por sua vez, o cristianismo se opunha a tal forma de relação matrimonial e condenava esse tipo de casamento. Assim, o Islã foi adaptando-se melhor aos costumes locais, o que teria facilitado sua imposição sistemática e sutil; 3) A vinculação idearia de certos orixás ao demônio (existente tanto no cristianismo como no islamismo) atrelou as religiões tradicionais iorubas a uma lógica pecaminosa e negativa. As divindades mais afetadas por este sincretismo negativo foram Èṣù (associado ao sexo) e Ọ̀rúnmìlà (ligado ao conhecimento do destino); 4) O quarto e último elemento destrutivo seria o impedimento dos festivais públicos de celebração aos deuses da tradição ioruba. Na comparação entre os impactos e trocas culturais na África pré-colonialismo moderno, considerando a presença do islamismo e do catolicismo, temos que a religiosidade muçulmana caracterizou-se por uma adaptação e por uma relação bem mais harmoniosa com os costumes locais, apesar de certas discordâncias dogmáticas. Nesse aspecto, o Islã jamais propôs uma imposição ou uma substituição religiosa às elites locais. Antes, pelo contrário, estimulou a incorporação de novos adeptos, oferecendo um novo status aos comerciantes já estabelecidos, constituindo assim uma outra ordem social, econômica e política, sem traumas severos. #marciodejagun Babalorixá Marcio de Jagun Márcio de Jagun é escritor e dicionarista especializado em gramática ioruba, autor de sete obras publicadas. Dentre elas, Orí a Cabeça como Divindade (Litteris, 2015). Contato: ori@ori.net.br

Raízes Islâmicas e as Religiões Afro-brasileiras

Por: Babalorixá Márcio de Jagun

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Por: Babalorixá Márcio de Jagun 18/05/2024 | 15:48 Para um uso descolonializado do Oráculo, é fundamental que consulente e oficiante tenham, como premissa, a autonomia de Orí . Ter noção de que a vida é um trajeto escolhido e dirigido cotidianamente e não um “jogo de cartas marcadas”, torna-se insular. Saber que a morte não afasta as consciências de vivos e meta-vivos , é determinante para entender esse mecanismo de reversibilidade do tempo. No trato oracular, as memórias vivas são invocadas, sentidas, desarquivadas do corpo e do espírito. A “mesa de jogo” é a geografia do reencontro (o Eu, a ancestralidade e o odù ). O sistema oracular ioruba é organizado a partir do corpus  da sabedoria de Ifá . São muitos os oráculos utilizados no Candomblé nagô: o mẹ́rìnndílógún , o obì , o orógbó , a àlùbọ́sà , entre outros. Todos os Oráculos e seus manuseios, embora possam diferenciar, tomam, por base, o corpus  de Ifá . No passado, a dinâmica diante do Oráculo de Ifá  era a seguinte: o Olhador manuseava o Oráculo e, após identificar o odù  que se apresentava na caída, recitava um dos poemas correspondentes àquele signo. Caberia ao consulente interpretar como tal ensinamento poderia ser aplicado ao seu momento. Somente depois desse instante, o Olhador poderia, eventualmente, comentar e prescrever algo, ou seja, a autonomia do consulente era convocada para entender o problema e, assim, integrar a construção de possíveis soluções. Existem cerca de 600 ẹsẹ  (poemas) para cada um dos 256 odù , totalizando, aproximadamente, 153.600. Em seu gênero literário, reside um estilo metafórico e uma proposta pedagógica. Para decifrá-los, adaptando aquela realidade cultural à nossa, é preciso empregar princípios da semiótica aplicados à ifalogia . O exame oracular integra os elementos da natureza, considera as imperfeições humanas e compreende as ambiguidades dos seres, do divino, dos destinos. O Oráculo é um exame. Este “aparelho”, contudo, não se restringe a detectar aspectos do físico. Além destes, ele aponta questões emocionais e energéticas. Trata-se, portanto, de uma análise bem mais abrangente e sofisticada do que uma tomografia computadorizada, por exemplo, que só é capaz de mostrar o estágio do agora (ainda que de forma profunda). Por exemplo: o laudo de uma tomografia identifica, neste momento, uma lesão no joelho. Entretanto, não consegue apontar as causas havidas no passado tampouco pode detectar como esta lesão ficará no futuro. Na análise oracular, além de identificar a “lesão”, é possível rastrear sua causa e, ainda, projetar como será sua evolução no futuro. Através do Oráculo, podemos investigar eventos passados, que propiciam eventos do presente, como traumas, episódios vivenciados, sentimentos e, da mesma forma, ele viabiliza olhar para o esboço de um futuro. Este, porém, será sempre dependente, não de vontade divina, mas das escolhas e práticas do consulente. Logo, o futuro visto no Oráculo será sempre uma minuta, um rascunho cujo texto final depende do autor. A análise oracular parte do pressuposto de que há dois corpos em estudo: o físico ( ara ) e o metafísico ( ẹnìkéjì ). É realizada, então, uma complexa anamnese que considera a sincronicidade do tempo: passado, presente e futuro, bem como elementos do material e do espiritual. Há uma ressignificação do destino que não é pensado como um pontilhado de decisões divinas, mas como uma escolha do próprio Ser pensante e agente. O Oráculo não é um lugar de aprisionamento pelo medo, pelo determinismo divino nem pela manipulação/exploração no exercício do ofício sacerdotal. O Oráculo é um lugar onde se deve entender a autonomia na autogestão da vida, na liberdade das escolhas. Muito se imagina que o Oráculo deva revelar tudo. O “tudo” é relativizado pela filosofia ioruba na medida da relevância e da pertinência das informações para o momento. Primeiro, há que se entender que a dinâmica oracular é divinatória e não adivinhatória. Ademais, como ensina o aforismo ioruba: “Ninguém vê o rosto de Ọ̀rúnmìlà ”. Ou seja, a sabedoria (personificada em Ọ̀rúnmìlà ) não precisa mostrar-se por completo. A sabedoria oracular, portanto, só mostra o que é devido, necessário e útil tanto ao consulente quanto ao Olhador. A dinâmica se estabelece a partir de uma triangulação oracular entre consulente, Olhador e divindade, pois estes três elementos precisam estar em sintonia, coadunados. (trecho do livro “Filosofia Descolonial do Candomblé Nagô” – Márcio de Jagun, Litteris, 2024). #marciodejagun Babalorixá Marcio de Jagun Márcio de Jagun é escritor e dicionarista especializado em gramática ioruba, autor de sete obras publicadas. Dentre elas, Orí a Cabeça como Divindade (Litteris, 2015). Contato: ori@ori.net.br  Contatos do Babalorixá Marcio de Jagun Redes Sociais: Instagram E-mail: ori@ori.net.br

Um olhar descolonizado sobre a consulta oracular

Por: Babalorixá Márcio de Jagun

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Por: Babalorixá Márcio de Jagun 20/02/2024 | 18:55 Não se tem, ao certo, o período de início do processo de sincretismo afro-cristão em terras brasileiras. No século XVIII, as divindades africanas ainda eram desconhecidas do clero português: As primeiras menções às religiões africanas no Brasil são de 1680, por ocasião das pesquisas do Santo Ofício da Inquisição, quando “Sebastião Barreto denunciava o costume que tinham os negros, na Bahia, de matar animais, quando de luto... para lavar-se no sangue, dizendo que a alma, então, deixava o corpo para subir ao céu”. Por volta de 1780, em documentos relativos a esse mesmo Santo Ofício, há menções sobre “pretas da Costa da Mina que faziam bailes às escondidas, com uma preta mestra e com altar de ídolos, adorando bodes vivos, untando seus corpos com diversos óleos, sangue de galo e dando a comer bolos de milho depois de diversas bênçãos supersticiosas...” (RIBEIRO, 1952 apud VERGER, 2002, p. 26). O sincretismo afrocatólico não tem uma coerência aparente pelos padrões ocidentais. As figuras entre os santos católicos e os deuses iorubas nem sempre correspondem a uma proporção. Haja vista a relação entre Ṣàngó, descrito como o poderoso e viril soberano de Ọ̀yọ́  e São Jerônimo, um calvo senhor de aparência alquebrada. Contudo, os elementos que os “unem” são a pedra na qual São Jerônimo está sentado (símbolo do poderio de Ṣàngó) e o leão ao lado do santo – símbolo da realeza entre os iorubas. Como podemos notar, conceitos dogmáticos e espirituais iorubas sobre Deus, sobre os àwọn òrìṣà e sobre a paz, por exemplo, foram transversalizados por princípios islâmicos e cristãos há séculos. Com isso, o mito do purismo matricial africano se “esfarela”. Numa cultura ágrafa milenar, como a ioruba, que convive há tanto tempo com as presenças islâmica e cristã em seu território, impondo-se pela política, pela economia e pela religiosidade, torna-se impossível traçar linhas divisórias precisas entre os pensamentos originários que alicerçam a afro-cristão são bem mais antigos e mais profundos do que se supunha. Quando os africanos chegam ao Brasil, com a diáspora forçada, já trazem consigo uma religiosidade africana multifacetada; já desembarcam aqui com sincretismos consolidados. Os sincretismos afro-brasileiros terão matrizes na África, mas também serão outros, serão novos, recontextualizados. Os sincretismos aqui editados, constituirão novas religiões, ímpares. O Brasil será a incubadora de uma religiosidade sua, autêntica, plural, fruto dessas trocas. O Candomblé e a Umbanda, por exemplo, enquanto religiões afro-brasileiras, num segundo momento, protagonizarão uma novel diáspora que se espalha por outros países do Cone Sul e Europa. Só que, agora, já existe uma nova fonte; a matriz já não é a África, mas o Brasil. (Trecho do livro Filosofia Descolonial do Candomblé Nagô - Márcio de Jagun, Ed. Litteris). #marciodejagun Babalorixá Marcio de Jagun Márcio de Jagun é escritor e dicionarista especializado em gramática ioruba, autor de sete obras publicadas. Dentre elas, Orí a Cabeça como Divindade (Litteris, 2015). Contato: ori@ori.net.br  Contatos do Babalorixá Marcio de Jagun Redes Sociais: Instagram E-mail: ori@ori.net.br

Um olhar sobre o Sincretismo

Por: Babalorixá Márcio de Jagun

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