Terreiro não é lugar que se frequenta quando convém. Não é serviço espiritual para momentos de crise
- WR Express

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Por: Mãe Tathy de Oyá

✅16/01/2026 | 12:48
Levar a criança ao terreiro é compromisso.
E abandonar o terreiro depois que o filho nasce é escolha — e toda escolha tem consequência.
Quem se afasta usando os filhos como justificativa revela, na prática, que nunca entendeu o que é comunidade, ancestralidade e axé. É chão de pertencimento, de obrigação e de continuidade.
Filho não afasta do terreiro. Filho exige ainda mais presença. Quem recebeu cuidado, orientação, axé e proteção, e depois some, rompe a troca. E onde não há troca, o axé esfria.
O sagrado não se sustenta à distância. Os Òrìṣà não caminham com a ausência. A casa sente - Os mais velhos sentem quando o compromisso vira desculpa.
Criar filhos longe do terreiro não é proteção: é negligência espiritual. É ensinar, desde cedo, que o compromisso pode ser descartado e que a fé só serve enquanto é conveniente.
Quem não sustenta a casa depois que o filho nasce não sustenta nem a própria palavra.
Axé não é herança automática. Axé é presença, é corpo, é tempo entregue.
Quem some, escolhe ficar fora.
E quem fica fora, não pode cobrar caminho aberto.
Axé se constrói com responsabilidade.
E responsabilidade não tira licença maternidade ou paternidade.
Criar filhos longe da vivência comunitária do axé é privá-los do chão que fortalece, da referência que orienta e da coletividade que protege. Terreiro não é obstáculo à criação: é base.
Estar presente depois que o filho nasce é também um ato de maturidade espiritual. É dizer, com atitudes, que a fé não é conveniência, mas compromisso; que o axé não é consumo, mas troca viva.
Axé se sustenta com presença.
E presença também se aprende desde pequeno.
Quer levar a criança ao terreiro?
Então pega a criança e vai.
Vai chorando, vai no colo, vai inquieta, vai do jeito que der. Terreiro não é vitrine, é vivência. Quem olha, olha. Quem comenta, comenta. A responsabilidade é sua, não do julgamento alheio.
“O que os outros vão pensar” nunca foi fundamento de axé. Medo de olhar não sustenta caminho, não cria filho e não honra ancestralidade. Quem deixa de ir por receio de crítica escolhe agradar gente e desagradar o sagrado.
Criança não atrapalha o terreiro. A ausência dos responsáveis, sim. Criança aprende estando. Aprende vendo. Aprende pisando no chão que é dela por direito.
Se quer criar filho no axé, não espere o cenário perfeito, o dia ideal ou a aprovação coletiva. Pega a criança, organiza o básico e vai. O terreiro sempre soube acolher. O que ele não sustenta é desculpa.
Axé não pede permissão.
Axé se vive.
E quem quer, vai.
Mesmo que olhem.
Mesmo que falem.

Mãe Tathy de Oyá
Mãe de santo da CUSLE – Comunidade da União do Sagrado Laços Espirituais e da CRIAOFÈOYÀ – Comunidade da Compreensão e da Restauração Ilè Àse Omi Àtúnbi ni Aféfé Òyá, território atuante nas filosofias e práticas religiosas da Umbanda, do Candomblé e da Jurema Sagrada, expande sua atuação por meio do Coletivo Egbé Ayé, acolhendo a comunidade externa com diversos programas sociais voltados à redução das desigualdades e à transformação da vida de mulheres, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade... [+ informações de Mãe Tathy de Oyá]
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