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"Se eu trabalhar, eu vou morrer..." - O fim da escala 6x1 e a perspectiva de Sr Zé Pilintra

  • 6 de mai.
  • 3 min de leitura

Por: Iyalorixá Adriana Ty Oyá

Foto: Bea Domingos
Foto: Bea Domingos

✅ 6/5/2026 | 18:57


Trabalhar, trabalhar pra quê? Se eu trabalhar eu vou morrer."


A pausa que Sr Zé Pilintra da Estrada faz para ser didático e explicar ao longo dos anos sua perspectiva através de uma objetividade realista da conjuntura política em que os trabalhadores sempre se encontraram através do tempo e/ou da história - Segundo sua visão de mundo, todo trabalhador precisa exercer seu ofício com dignidade e garantia de direitos básicos, não para sobreviver, mas sim para viver a vida para além do trabalho, com tempo, alegria e disposição.


Um trabalho indigno leva o trabalhador à morte - aos poucos sua energia vital, seu tempo precioso e sua alegria para exercer a arte do bem viver.


Quando pausa para explicar a cantiga, Sr Zé Pilintra da Estrada defende exatamente a garantia dos diretos trabalhistas, uma pauta de 44 milhões de trabalhadores formais, segundo os últimos dados da Relação Anual de Informações Sociais (2023).



E sempre foi através de luta e a defesa do óbvio, que divergentes aos avanços da Classe Trabalhadora diziam e ainda dizem ser impossível.


Saímos de um cenário com ausência de leis, onde o trabalho infantil era normalizado, assim como 12 h+ de jornada de trabalho para a inclusão de leis que garantiam direitos básicos como o salário mínimo e jornada de 8h (1934). A própria criação da CLT (Consolidação de Leis Trabalhistas), unificando direitos anteriores. E com toda a luta da Classe trabalhadora: férias, descanso semanal, 13° salário, FGTS, jornada semanal de 44 horas, licença maternidade, entre outros avanços.


Sempre foi por disputa de narrativas e interesses, e nunca qualquer avanço para garantir direitos da Classe trabalhadora foi sem luta do setor mais prejudicado.


O debate que assola o país no ano de 2026, é mais uma pauta na incansável luta da Classe trabalhadora ao longo da história, e em resumo, assim como todas as outras pautas que pareciam inaucansáveis ao longo do tempo, na visão dos conservadores e dos setores que defendem o empresariado e/ou empregador - É uma pauta emergencial que requer para além de tudo, ouvir mais de 70% da população brasileira. O que mais 70% de brasileiros querem?


O fim da escala 6x1 - Os brasileiros aguardam na luta diária de suas labutas, ainda sob o regime 6x1, anseiam que seja aprovado um modelo de jornada de trabalho que dê mais qualidade de vida, e ao contrário do que dizem, ter tempo para usufruir nos setores de lazer, cultura, turismo, ou seja, não haverá quebra da economia, pois setores negados aos trabalhadores por falta de tempo, disponibilidade e disposição serão movimentados constantemente.


O que temos em debate e tramitação na Câmara:


- O Projeto de Lei enviado pelo Presidente da República, no dia 14 de abril, que precisa ser votada em 45 dias, mantém as 8h diárias, e garante dois dias de descanso, preferencialmente sábado e domingo, mas prever acordo coletivo de acordo com a atividade.


- A tramitação de uma proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) que prevê a redução gradual ao longo de 10 anos, de 44h para 36h semanais e outra PEC da Deputada Érica Hilton que defende a escala 4x3.


O que está em jogo é o que sempre esteve, os interesses dos nossos eternos algozes, alguns parlamentares e entidades patronais - aqueles que não representam o povo e seus interesses.


A defesa e a luta dessas pautas não podem ser negadas pelo povo das religiões de matrizes africanas e indígenas, pois é uma consequência do que historicamente vivemos em nosso país desde a invasão, perpassando inclusive pela escravização e a luta dos nossos para o tão sonhado, não o 13 de maio, mas o 14, isto é, o dia seguinte até a contemporaneidade.


Que possamos trabalhar com dignidade, respeito e com todos os direitos garantidos. Que a arte do bem viver seja prioridade para esse povo tão sofrido, do contrário:


" Trabalhar, trabalhar pra quê? Se eu trabalhar eu vou morrer..."



Adriano Cabral - AxéNews

Iyalorixá Adriana Ty Oyá

Nome: Adriana Silva de Santana Data de nascimento 29/01/198; Mulher Negra; Mãe do Antony;  Umbandista e Candomblecista; Naturalidade:  Duque de Caxias / RJ; Nome religioso: Mãe Adriana Ty Oyá; Profissião: Servidora Pública Educadora da Rede Pública de Ensino no Município de Duque de Caxias há 21 anos; Educadora antirracista; Pedagoga e Especialista em Raça, Etnia e Educação no Brasil ... [+ informações da Iyalorixá Adriana Ty Oyá]  



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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