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Quando foi a última vez que você mudou de opinião?

há 20 horas
3 min de leitura

Por: Pai Marcos

✅ 7/10/2026 | 14:47


Existe uma coisa curiosa no conhecimento: quando sabemos pouco, é fácil ter certeza de quase tudo. Conforme estudamos, vivemos e conhecemos outras realidades, percebemos que muitas dessas certezas nasceram simplesmente porque nosso universo ainda era pequeno.


Durante muitos anos eu disse coisas que hoje talvez dissesse de outra maneira. Não necessariamente porque estavam erradas, mas porque continuei estudando, ouvindo, errando e aprendendo. E acho natural que seja assim. Se depois de décadas de caminhada pensamos exatamente como pensávamos no início, talvez não tenhamos aprendido tanto quanto imaginamos.


Na Umbanda isso acontece muito. Aprendemos os fundamentos de uma casa e, às vezes, passamos a tratá-los como se fossem os fundamentos de toda a religião. Ouvimos que determinada coisa não existe, que uma entidade não trabalha de certa maneira ou que certo fundamento está errado. Então conhecemos outras casas, conversamos com outros mais velhos, estudamos outras tradições e descobrimos pessoas sérias fazendo há décadas aquilo que aprendemos ser impossível.



Isso não significa abandonar o que aprendemos. Eu tenho convicção nos fundamentos da minha casa, confio no que minhas entidades me ensinaram e tenho responsabilidade sobre a maneira como conduzo meus filhos. Mas existe uma diferença enorme entre dizer “na minha casa não fazemos assim” e afirmar “isso não existe”. Uma coisa é conhecer e preservar a própria tradição; outra é imaginar que ela seja a única possível.


O tempo de religião também pode nos enganar. Vinte, trinta ou quarenta anos de santo trazem uma experiência que precisa ser respeitada, mas não deveriam nos colocar numa posição em que já não podemos aprender com ninguém. Quanto mais conheço a religião, mais percebo suas diferenças, exceções e particularidades e, consequentemente, mais cuidado tenho antes de dizer que alguma coisa é impossível ou está errada.


A própria espiritualidade já me fez rever certezas. Às vezes uma experiência, uma entidade, um mais velho ou simplesmente um estudo mais aprofundado nos apresenta algo que não cabe perfeitamente naquilo que aprendemos anos atrás. Não vejo nenhum problema em reconhecer isso. Rever uma opinião diante de um conhecimento novo não é perder fundamento; é aceitar que hoje sabemos algo que ontem não sabíamos.


Talvez por isso eu considere tão importante conseguir dizer “eu não sei”. Não acredito que minha posição como Pai de Santo me obrigue a ter resposta para tudo. Existem coisas que conheço profundamente, outras que ainda estou estudando e muitas que desconheço. O perigo começa quando alguém já não consegue admitir essa diferença, porque quem acredita que sabe tudo também perde a necessidade de ouvir e aprender.


Foi nesse sentido que escrevi que a fé também precisa de manutenção. Estudar, pesquisar e conhecer outras perspectivas não enfraquece nossa espiritualidade. Ao contrário, pode nos dar mais consciência sobre aquilo em que acreditamos e, principalmente, sobre os limites do nosso próprio conhecimento.


Quanto mais aprendemos, mais percebemos o tamanho daquilo que ainda não sabemos. Talvez a maturidade espiritual tenha menos relação com acumular respostas e mais com não transformar nossas experiências em verdades absolutas. Depois de tantos anos de religião, continuo valorizando aquilo que sei, mas também aprendi a não ter vergonha de dizer: “Eu não sei, mas posso aprender.”




Adriano Cabral - AxéNews

Pai Marcos

Pai Marcos, fundador e zelador do Terreiro de Umbanda Estrela Guiada UK - TUEG UK, é um homem com uma rica experiência no mundo espiritual. Desde cedo, teve a oportunidade de explorar diversas vertentes, como o Catolicismo, Kardecismo, Mesa Branca, Reiki, Umbanda e Umbandaime. Essa jornada lhe proporcionou um vasto conhecimento e uma visão abrangente sobre diferentes práticas e filosofias espirituais... [+ informações de Pai Marcos]  



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|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

 
 
 

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