No banquete do poder, os POTMA ficam com as migalhas
- 10 de mai. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 9 de set. de 2025
Por: Paulo Mendonça de Xangô

✅ 06/02/2025 | 12:13
No grande banquete do poder, onde decisões são tomadas, onde os lugares à mesa são reservados para poucos, os POTMA - Povos Tradicionais de Matriz Africana vamos sendo deixados à margem. Nossas vozes, saberes e lutas são frequentemente ignorados, apagados ou tolerados apenas como adorno, nunca como parte central do discurso.
Enquanto se fala de diversidade, os terreiros continuam sendo alvos de crimes de preconceitos. Enquanto se celebra a democracia, o racismo religioso segue firme, muitas vezes travestido de silêncio institucional. A cultura de matriz africana, que tanto contribuiu para a formação da identidade brasileira, ainda é tratada como algo exótico ou marginal.
Não queremos migalhas. Queremos respeito, espaço e escuta. Queremos políticas públicas que não sejam apenas promessas vazias, mas ações concretas de reparação e valorização. Queremos existir plenamente, com dignidade, fé e liberdade.
Porque não há justiça social sem justiça espiritual. Não há igualdade real enquanto o sagrado do outro for tratado com desprezo. Não há democracia enquanto só alguns se servem do banquete e outros limpam a mesa.
É hora de inverter a lógica: que o banquete seja de todos, e que as migalhas fiquem para trás — junto com o preconceito e a exclusão.

Paulo Mendonça de Xangô
Publicitário, jornalista, Babalorixá na nação Nagô, sacerdote na Umbanda de Encantaria Cigana do Oriente e Jurema Sagrada, ativista de mídia, social, cultura, comunitário e de matriz africana. [+ informações de Paulo Mendonça de Xangô]
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