top of page

Memorial celebra o legado de Iyá Nitinha de Oxum no no Ilê Asé Iyá Nassô Oká Ilê Osun, em Nova Iguaçu (RJ)

há 1 dia
3 min de leitura

Mãe Nitinha passa a ter seu Memorial no dia de seu Odun

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

✅ 26/10/2026 | 19:45


Hoje, 26 de Outubro, é um dia especial para o candomblé e para a cultura brasileira. É o dia em que celebramos a iniciação de Mãe Nitinha à Oxum, mas também será o dia em que será inaugurado o Memorial Iyá Nitinha de Oxum - fisicamente localizado em Miguel Couto, Nova Iguaçu, no Ilê Asé Iyá Nassô Oká Ilê Osun, terreiro por ela fundado em 1972.


Este memorial é fruto da persistência política da Mandata - Deputada Estadual Renata Souza em recuperar a memória e fortalecer os povos de axé do Rio de Janeiro. Foi essa persistência que permitiu uma parceria inédita entre a Fiocruz/MS, o mandato do deputado federal Pastor Henrique Vieira, o mandato da Deputada Federal Taliria Petrone, a Mandata - Deputada Estadual Renata Souza - e a Associação Nossa Senhora das Candeias, associação que representa o Ilê Asé Iyá Nassô Oká Ilê Osun. Depois de anos de pesquisa e muita dedicação, torna-se público esse importante patrimônio de memória e justiça ao legado de Iyá Nitinha.



Iyá Nitinha foi um exemplo de respeito e cumplicidade para com os orixás, aos quais dedicou toda sua vida. Sua importância enquanto matriarca do Candomblé, sua relevância religiosa no Ilê Axé Iyá Nassô Oká, Terreiro da Casa Branca, aonde foi iniciada à Oxum por Mãe Massi, a tornou, incontestavelmente, um exemplo de Yalorixá e uma das lideranças religiosas mais respeitadas do Brasil. Mas o legado cultural de Iyá Nitinha transcendeu e ultrapassou a fronteira religiosa, permitindo modificar a percepção pública sobre as religiões de matriz africana, transformando em respeito, diálogo e patrimônio cultural a contribuição do candomblé à sociedade brasileira.


Podemos dizer, sem medo de errar, que Mãe Nitinha não enxergava o Candomblé de forma isolada do mundo, como uma religião limitada aos muros internos dos terreiros. Para ela, o terreiro era uma espaço de resistência comunitária e política: foi defensora incansável dos direitos das mulheres negras e das populações vulnerabilizadas; foi fundadora do Alabê Funfun, a primeira orquestra de atabaques do Brasil; bem como, em uma sociedade patriarcal, reforçou o modelo do matriarcado como um exemplo de liderança política e conhecimento.


Ela provou que o Candomblé não é exclusivamente uma religião, mas sim um ato coletivo de sobrevivência, perseverança e autonomia de uma população que resistiu sistematicamente ao silenciamento. Neste sentido, é de extrema relevância o esforço em fortalecer a defesa das nossas raízes ancestrais, do nosso povo e da nossa história, lançando luz à “história que a história não conta”. Criar um memorial de Iyá Nitinha faz jus à sua contribuição e luta pelos povos de matriz africana e pela promoção dos saberes, filosofias e tradições do povo negro brasileiro.


Um memorial que se ergue no chão do terreiro onde ela exerceu seu sacerdócio como Iyalorixá é o solo sagrado onde podemos rememorar e acessar com toda profundidade o legado ancestral materializado por essa grande sacerdotisa e manter, de forma permanente, a presença, a vida e a importância de Mãe Nitinha.


Por último, mas não menos importante, temos hoje, ainda, uma terceira comemoração a fazer. A existência desse Memorial se deve a uma política de Saúde em sua concepção integral materializada no Ministério da Saúde e na Fiocruz e a uma política de igualdade racial materializada no Ministério da Igualdade Racial. Políticas essas que, no que tange à reparação histórica que o Brasil deve ao povo negro e ao povo de axé, são fundamentais para preservação da nossa cultura. Políticas essas que voltaram a existir, a partir da recuperação democrática do Brasil realizada pelo governo Lula de 2022 à 2026, após o país ter sido vilipendiado pela política do negacionismo e do ódio.


Esse mesmo presidente, condecorou, em 2007, a Iyalorixá Iyá Nitinha de Oxum com a Comenda da Ordem do Rio Branco, uma das maiores honrarias do Estado brasileiro, reconhecendo “a sua dedicação vitalícia à preservação, liberdade e valorização do culto aos orixás e à cultura afro-brasileira”.


Mãe Nitinha passa a ter seu Memorial no dia de seu Odun, mas também no dia em que Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito Presidente da República do Brasil por mais quatro anos. É essa vitória que nos permite ter a certeza de que mais políticas como essa serão possíveis e que o legado de Iyá Nitinha não é simplesmente um museu de memórias, mas sim um legado vivo e permanente que ela, como “Embaixadora do Candomblé” venceu: seguimos firmes e perseverantes na manutenção da cultura e do axé do povo negro e das mulheres.


Iyá Nitinha Vive! 

Adupé!


 
 
 

Comentários


bottom of page