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Editorial AxéNews: Alunos ocupam as ruas e lembram ao país que democracia não é matéria optativa

há 19 horas
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Editorial AxéNews | Outubro 2026

✅ 8/10/2026 | 09:32


Quando milhares de estudantes deixam escolas e universidades para ocupar as ruas, a educação ultrapassa os limites da sala de aula e ganha uma dimensão pública. Nesta quarta, no Rio, era possível sentir isso de perto: adolescentes e jovens saíam das estações de metrô, desciam dos ônibus, chegavam de diferentes escolas, universidades e institutos e se encontravam no Centro. Grupos que nem sempre caminham juntos somaram forças, enquanto estudantes, atléticas, movimentos sociais e trabalhadores engrossavam a mobilização. A cidade foi sendo tomada por uma juventude que decidiu transformar conhecimento em participação.


Em Niterói, estudantes da UFF foram às ruas na segunda e na terça-feira. No Recife, alunos da UFPE também se mobilizaram. Nesta quarta, no Rio, milhares seguiram da Candelária à Cinelândia, defendendo a educação pública e a democracia, manifestando apoio à reeleição do presidente Lula e se posicionando contra a extrema direita. Mais de 40 mobilizações estudantis foram convocadas em 14 estados e no Distrito Federal.



Há, nessa movimentação, uma imagem impossível de ignorar: a aula saiu das salas e tomou as ruas. As mobilizações já se espalham por diferentes regiões do Brasil, e a tendência é de que esse movimento cresça ainda mais nos próximos dias, reunindo cada vez mais estudantes e outros setores da sociedade em defesa da liberdade, da democracia e dos direitos civis e sociais. O que aconteceu ontem não parece ser um episódio isolado, mas parte de uma mobilização que ganha força, alcança novos espaços e começa a desenhar um movimento nacional.


É nesse movimento que a experiência dos povos e comunidades tradicionais de terreiro pode encontrar essa força juvenil. Os terreiros conhecem a mobilização, conhecem a rua e sabem ocupar os espaços públicos quando seus direitos estão em jogo. Essa experiência de organização e defesa da liberdade pode caminhar ao lado desses jovens, somando-se à energia de uma geração que demonstra não estar disposta a assistir passivamente às decisões que definirão seu futuro.


A história não está sendo contada depois que os fatos acontecem. Ela está sendo feita agora, pelos pés que ocupam as ruas, pelas vozes que se levantam e pelos encontros que transformam uma multidão em movimento. A manifestação pode terminar quando os estudantes voltam para casa, mas a aula continua em cada espaço onde alguém decide não permanecer indiferente.


O que foi conquistado não se guarda apenas na memória: precisa ser protegido, cuidado e levado adiante. Talvez seja essa a beleza de uma democracia viva: diferentes gerações reconhecendo que o futuro também depende daquilo que escolhem preservar no presente. E seguir adiante, com esperança, é também caminhar sem medo de ser feliz.

 
 
 

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