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Descoberta de Cemitério dos Pretos Novos completa 27 anos e preserva história de resistência

Instituto Pretos Novos reabre dia 10 de janeiro a partir das 10h

Foto: Redes Sociais | IPN

08/01/2023 | 11:14


A história negra no Brasil sofreu e, sofre ainda hoje, diversas tentativas de apagamento histórico. A descoberta do sítio arqueológico Cemitério dos Pretos Novos, na região portuária do Rio, em 1996, foi peça importante para resistência de tantas memórias.


Hoje, dia 8 de janeiro, completam-se 27 anos que a família Guimarães encontrou o maior cemitério de cativos africanos das América. Nessa área, entre 1772 e 1830, foram enterrados cerca de 60 mil negros mortos após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou após o desembarque no Rio.


Para guardar e preservar todas essas histórias de sofrimento foi criado o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), que funciona no local do cemitério. Para Merced Guimarães dos Anjos, responsável pelo Instituto, a descoberta representa um grande ganho histórico e a oportunidade de proteger memórias de dor, luta e resistência da população negra escravizada.


- Há 27 anos nos deparamos com dezenas de ossadas humanas. Procuramos saber o porquê daquelas pessoas estarem enterradas ali e descobrimos a história do antigo Cemitério dos Pretos Novos, que remete a uma história que estava encoberta, soterrada há mas de 150 anos, na época. Procuramos o poder público que tratou com descaso, mas a pedido e com a ajuda de amigos ligados a luta Antirracista, decidimos fazer o memorial e dar visibilidade a esse holocausto, a esse crime contra a humanidade que ocorreu aqui no Rio de Janeiro. Em 2005, fundamos o Instituto Pretos Novos para preservar essa memória e, por conta disso, posteriormente, em 2011, foi descoberto o Cais do Valongo, onde milhares de pessoas, trazidas de África, foram traficadas para ser escravizadas. É uma luta árdua diante do Racismo Estrutural e também institucional que assola nosso país.


O IPN retoma as suas atividades 2023 a partir do dia 10 de janeiro para o público, que poderá acompanhar as escavações arqueológicas, e participar de diversas atividades no Instituto. Uma delas é a realização da sexta temporada do Circuito Histórico de Herança Africana, através de visitas guiadas pela região da Pequena África, uma ótima oportunidade para quem quer conhecer ou saber mais sobre a localidade.


O programa será realizado durante todo mês de janeiro, nas quartas-feiras (dias 18 e 25) às 16h, e aos sábados (14, 21 e 28) às 10h. Todas e todos podem participar gratuitamente, basta fazer uma inscrição através desse link.


O IPN iniciou com circuitos desde 2007 junto com Dr. Claudio Honorato com a Oficina Caminhos da Escravidão I e II e assim, hoje com o Circuito da Herança Africana, que já esta na VI temporada. O circuito tem o objetivo de contribuir para a construção de uma reflexão crítica e uma sociedade mais justa e igualitária.


Confira o roteiro do Circuito:


• Largo de São Francisco da Prainha;


• Pedra do Sal;


• Mirante do Morro da Conceição;


• Jardim Suspenso do Valongo de 1906;


• Espaço Cultural Casa da Tia Ciata;


• Largo do Depósito;


• Mercado de Escravos do Valongo;


• Cais do Valongo (eleito Patrimônio Cultural da Humanidade/UNESCO em 09 de julho de 2017);


• Docas Pedro II - edificação construída pelo Engenheiro André Pinto Rebouças de 1870;


• Revolta da Vacina (Barricada da Saúde, Prata Preta de 1910);


• Centro Cultural Municipal José Bonifácio de 1872 e


• IPN - Museu Memorial dos Pretos Novos - Cemitério dos Pretos Novos 1774 a 1830. (término do circuito).

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