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Presente de Yemojá: Uma oportunidade para temas como Crise Climáticas e Sustentabilidade

Por: Rodrigo Carneiro - Babazinho

22/02/2024 | 17:59


Os prejuízos e problemas decorrentes da crise climática estão cada vez mais em evidência em nossa sociedade. Chuvas torrenciais, enchentes, ondas de calor, escassez hídrica, aumento do nível do mar, incêndios florestais e a grande redução da biodiversidade são alguns do problemas que estamos encarando nos últimos anos com maior expressividade . O ano de 2023 foi considerado o ano mais quente nos últimos 100 anos de existência planetária sendo esse fato decorrente das ações depredativas da espécie humana.





As consequência da crise climática apesar de serem globais não atingem a todas as camadas da sociedade da mesma forma. Estudos mostram que países mais desenvolvidos como (EUA, China, Índia) que possuem maior parcela no agravamento dos problemas climáticos sofrem menos prejuízos enquanto países menos desenvolvidos sofre mais com os efeitos da crise climática, esse paradigma é conhecido como injustiça climática.


No Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento esse problema não seria diferente, os principais territórios atingidos possuem algumas características específicas, estão entre elas o local, classe social e a cor, ou seja, territórios periféricos ou sem qualquer tipo de saneamento básico, pessoas que sobrevivem com muito menos que um salário mínimo mensal e que possuem o tom de pele preto em seus corpos.


Os Povos e Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas (POTMAs) em sua maioria fazem parte dos grupo de atingidos pela crise climática por terem suas Unidades Territoriais Tradicionais (UTTs / Terreiros) localizadas em territórios periféricos e muitos dos seus membros se encontrarem em vulnerabilidade social.


A natureza é a principal forma de manutenção das tradições afro-brasileira e africanas. O Axé (Asé) ou energia vital, possui como fonte primordial os diversos espaços naturais que são considerados sagrados para esses povos. Yemoja, a Senhora cujo os filhos são peixes, é a divindade africana Yorubá das águas do rio ganha no Brasil o domínio sobre as Praias, Mares e Oceanos. Nos meses de dezembro até fevereiro são prestados reverências a essas divindade, juntamente com a divindade a Oxum, senhora das águas doces e da cachoeira.


Os Presentes de Yemoja acontecem a mais de 100 anos segundos os registros, e teve início na década de 1920 em Salvador por uma Iyalorixá da nação Ijexá. A principal motivação dos presentes são os agradecimentos em forma de balaios e barcos por uma boa pescaria e fertilidade. Com a popularização dos festejos para além das comunidades tradicionais de matrizes africanas, alguns dos saberes ancestrais foram perdidos e substituídos por práticas capitalistas que influenciadas pelo processo de colonização descaracterização a anatômica e o embranquecimento da fisionomia da divindade Yemoja.


No continente africano essa divindade é representada com seios fartos, pele preta e pela metade do corpo com o rabo de peixe (sereia) diferente do que hoje é a representação dessa divindade no Brasil principalmente para os irmãos e irmãs umbandistas que a tem como uma mulher de vestido longo azul, corpo magro e cintura fina, feições europeias, cabelo liso, longo e pele branca.


Todo esse processo, incluem outros elementos as oferendas feitas a divindade Yemoja, como pentes, sabonetes, talcos, bijuterias, espelhos, garrafa de champagne e perfumes de alfazema. Esse objetos, além de descaracterizarem os ícones da divindade, são produzidos em sua maioria de derivados de combustíveis fósseis (plástico), contribuindo para aquecimento global e crise climática.


A necessidade de repensarmos as práticas atuais empregadas nos presentes de Yemoja surgem juntamente com outras pautas ligadas aos problemas sociais que o nosso povo vem enfrentando diariamente como o racismo religioso, estrutural e ambiental. Compreender que a crise climática está diretamente relacionada as vulnerabilidades sociais de um povo deve ser prioridade em rodas de conversas, eventos públicos ou até mesmo religiosos. Os festejos e homenagens a Yemoja podem ser protagonistas no processo de conscientização e resgate de práticas sustentáveis para a sociedade, tendo como exemplo a campanha do Instituto Terreiro Sustentável, EU CUIDO DOS OCEANOS: PRESERVE ESSA TRADIÇÃO, que evidência práticas sustentáveis e valoriza os saberes e fazeres tradicionais dos povos e comunidades de matrizes africanas.


Salientamos que os povos tradicionais em sua maioria não são os principais causadores de problemas ambientais, contudo suas práticas podem servir de exemplo e inspiração na busca de um equilíbrio global e respeitos por todas as espécies de seres vivos.


Salve o Planeta

Salve Yemojá

Odo iya… Iyagbá ooo !!

O Futuro é ancestral (Ailton Krenak)



Rodrigo Carneiro - Babazinho - AxéNews

Rodrigo Carneiro - Babazinho

Rodrigo Carneiro - Babazinho (Iwin L'orun Egbe Tayó).

​Professor de biologia (Seeduc), Pedagogo, Mestre em ensino de ciências, ambiente e sociedade ( Uerj-Ffp) , especialista em educação étnico -racial ( Ufrrj), Sacerdote do Terreiro de Obatalá -Ile Omi Orun, fundador do Instituto Terreiro Sustentável.Atuo com educação ambiental popular de terreiro, cultura, sustentabilidade e saúde.  


Rede Social de Rodrigo Carneiro - Babazinho:


Telefone: 21 96722-2241

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