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O Santo, a cerveja e o Guerreiro

Por: Mãe Emmanuelle


01/05/2024 | 15:20


Para entendermos a relação, precisamos compreender três coisinhas: a primeira é a importância de uma divindade “guerreira”, a segunda é a utilização da bebida alcoólica como meio de ligação com o sagrado e, a terceira, é a Umbanda como manifestação popular e riquíssima, com influencia de muitas culturas.



A bebida é utilizada em diversas culturas seja para celebrar algo, seja para entrar em contato com os deuses, e intimamente ligada à masculinidade (não precisamos ir muito longe para compreender essa questão do masculino e a bebida, basta analisarmos que décadas atrás as mulheres jamais estariam sentadas num bar bebendo).


E esta delícia de bebida fermentada, é milenar, faz parte do consumo e hábito das mais diversas culturas há pelo menos seis mil anos – e sempre teve sua associação à divindades guerreiras, ao herói e ás comemorações.


Na idade média a cerveja era rotina alimentar das famílias por conta do seu valor nutricional semelhante ao pão e por ser muitas vezes mais segura de ser beber do que a própria água ( que era bem sujinha ). Monges faziam cervejas pois ajudavam nos dias de jejum, já que não podiam consumir alimentos sólidos.


Com o passar do tempo a bebida também foi ganhando espaço nos meios urbanos e festas.


Dentro dessa historia temos um santo católico que engloba muitos aspectos mitológicos: o mito do guerreiro, do herói de um povo que mata o dragão com a lança, imponente, montado em um cavalo branco, o defensor: São Jorge!


Um santo popular que é louvado e amado em cada esquina do Rio de Janeiro, em igrejas, em terreiros e, porque não, dentro dos bares?


E o ser humano, na necessidade comungar com o divino, passa a dividir a bebida popular com o santo popular. E o santo popular, sincretizado com o orixá guerreiro, passa a receber cerveja em suas oferendas.


Em cada bar, uma imagem de São Jorge, um copo de cerveja, uma vela acesa e ervas como Arruda, comigo ninguém pode e espada de São Jorge, para proteger o ambiente.

E os boêmios mais antigos, antes de beber o primeiro gole de cerveja, ainda despeja o primeiro gole na terra, para ' saravar' o santo.


O Brasil com suas múltiplas culturas e a Umbanda genuinamente brasileira.


Tem coisa mais linda?

Não.


Com amor,



Mãe Emanuelle - AxéNews

Mãe Emmanuelle Andrade

Emmanuelle Andrade é Sacerdotisa de Umbanda na Tenda Espiritualista Nossa Senhora de Fátima, Terapeuta Holistica, Condutora do círculo de Sagrado Feminino Roda das Marias, Oraculista e facilitadora de cursos de cultura Cigana e Afro Brasileira.



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