O mês das Pretas e o apagamento das Pretas de todos os meses
- 23 de jul.
- 3 min de leitura
Por: Iyalorixá Adriana Ty Oyá

✅ 23/7/2026 | 17:05
25 de julho - Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de TEREZA de BENGUELA e da Mulher Negra
4 horas da manhã, ela se levanta para mais um dia de trabalho, uma rotina que está longe da escala desejada pelos trabalhadores, e no caso majoritariamente trabalhadoras - mulher preta, periférica, mãe solo. Seu percurso se dá há duas horas de distância entre seu domicílio e seu trabalho.
Uma realidade que escancara o racismo estrutural em nosso país, onde mulheres negras são vítimas das desigualdades. Mulheres estas que se encontram na informalidade ou nos setores de serviços e cuidados, mulheres com baixa remuneração, mulheres que não ocupam cargo de chefia, mulheres que chefiam seus lares, mulheres negras invisibilizadas em todos os meses das Pretas.
A partir de 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, com a realização do 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do 25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.
No Brasil também celebramos o dia de TEREZA de BENGUELA, grande líder quilombola que se transformou a grande heroína e dona desse dia – que como a maioria de nós a história não conta de onde veio. Se nasceu em África ou no Brasil. E caso tenha nascido no Brasil – não sabemos de onde origina sua herança ancestral – nação africana.
Conhecida como Rainha Tereza, viveu no século XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso. Após o falecimento de seu marido, tornou-se a grande líder do quilombo e criou o parlamento local, organizou produção de armas, a colheita e plantio de alimentos e chefiou a fabricação de tecidos. Morreu em uma emboscada, mas vive em cada uma de nós!
Mulheres como Tereza, nos trazem a responsabilidade de cada vez mais ampliarmos o olhar para a luta das mulheres negras. O feminismo interseccional, não é mais um conceito em construção. É uma realidade, uma causa, uma luta (…)
Feminismo interseccional diz respeito às INTERSECÇÕES ou recortes de opressões e vivências – recorte de gênero, de etnia/raça e de classe.
Como diz Djamila Ribeiro, “É necessário raciocinar. Essas divisões não foram criadas por nós, a sociedade já é dividida. Feministas brancas não podem reproduzir esse tipo de fala opressora. O feminismo negro surge justamente para apontar essas divisões e lutar por justiça já que de forma geral, mulheres negras foram excluídas por alguns feminismos.”
Voltem na história, mas façam um recorte racial e compreenderão que ao longo do tempo as conquistas das mulheres não contemplavam todas as mulheres.
As mulheres negras nessa área geográfica (América Latina e Caribe) lideram como vítimas de crimes, tais quais: violência obstétrica, abuso sexual e feminicídio.
É impossível mensurar os traumas e crimes cotidianos que estas mulheres sofrem e que historicamente foram submetidas. Isso não é vitimismo.
No mês de julho, considerado MÊS DAS PRETAS, precisamos refletir sobre o real protagonismo nesse Brasil que nega cotidianamente o racismo, precisamos falar sobre homenagens e afins, precisamos apontar as violências cotidianas (...).
Às 4h horas da manhã, ela se levanta e em suas subjetividades conhece na pele o que os discursos de julho pautam: o racismo, o silenciamento, a invisibilização, as micros e macros violências cotidianas, o cansaço e a perpetuação de uma estrutura que se abala quando uma mulher negra se movimenta.
No dia 25 de julho não recebemos flores e homenagens como o 8 de março, porque 25 de julho e todos os dias do ano são dias de luta, resistência e de abalo as estruturas ‐ como sempre foi!
Lutamos diariamente contra todas as formas de opressão, pois somos diversas em nossas especificidades. Que possamos no dia 25 de julho e em todos os dias gritar contra o RACISMO, o MACHISMO, a MISOGINIA e o SEXISMO.

Iyalorixá Adriana Ty Oyá
Nome: Adriana Silva de Santana Data de nascimento 29/01/198; Mulher Negra; Mãe do Antony; Umbandista e Candomblecista; Naturalidade: Duque de Caxias / RJ; Nome religioso: Mãe Adriana Ty Oyá; Profissião: Servidora Pública Educadora da Rede Pública de Ensino no Município de Duque de Caxias há 21 anos; Educadora antirracista; Pedagoga e Especialista em Raça, Etnia e Educação no Brasil ... [+ informações da Iyalorixá Adriana Ty Oyá]
Contatos da Iyalorixá Adriana Ty Oyá
Redes Sociais: Instagram | Instagram | Facebook
|| Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.

.png)





Comentários