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Lideranças religiosas publicam nota de repúdio ao incêndio provocado na imagem de Mãe Stella

O caso ocorreu no último domingo, 4, em Salvador, na Bahia

10/12/2022 | 00:00


Na madrugada deste último domingo, a estátua de Mãe Stella de Oxóssi, localizada na avenida que leva o nome da ialorixá em Salvador, foi alvo de vandalismo ao ser incendiada. O ato foi entendido como intolerância religiosa e tipificado pela Policia Civil como "ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo".


Um BO foi registrado pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), em Itapuã, na 12ª DP. O órgão, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), solicitou à DESAL - Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador a retirada da escultura danificada para recuperação.


Mãe Stella, uma grande referência religiosa, faleceu em 2018. Candomblecistas e outros segmentos religiosos ainda estão incrédulos com o vilipêndio. Ameaças contra símbolos religiosos não são recentes. Em 2019, a escultura de Mãe Stella e Oxóssi foi pichada e teve uma placa arrancada. Liberdade Religiosa e de culto é um Direito Constitucional, garantido por lei - 13.182/2014. Art. 1º - Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia, destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, defesa de direitos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e demais formas de intolerância racial e religiosa.


Duas importantes lideranças religiosas postaram nota de repúdio


"Recebi a triste notícia de que a escultura de Mãe Stella de Oxóssi, que fica na avenida que leva o nome da yalorixá, em Salvador, foi incendiada. Um ato criminoso e totalmente antidemocrático que revela as faces da intolerância religiosa e do racismo no país que se diz laico e democrático. Não podemos deixar que casos como esse continuem crescendo em nossa sociedade", potencializou Ivanir dos Santos - Babalawô, Dr. Prof. do Programa de pós-graduação em História Comparada da Universidade Federal do RJ, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e Fundador do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP)


Pai Denisson D’Angiles e Mãe Kelly D’Angiles - Instituto CEU Estrela Guia de São Paulo, também indignados postaram em suas redes - "Vimos a público manifestar o nosso repúdio e indignação contra o ato de vandalismo e terrorismo praticado contra a imagem da nossa grande e saudosa Yalorixá Mãe Stella de Oxóssi, que nos deixou um legado religioso e civilizatório muito grande e forte, e mesmo assim, teve a sua memória ofendida por intolerantes e reacionários que não conseguem respeitar a liberdade e diversidade religiosa. Esperamos que o fato seja devidamente investigado, com a instauração de Inquérito policial, com vistas à identificação e determinação da autoria delitiva, e indiciamento dos autores, para que sejam exemplarmente denunciados, julgados e punidos, pela lei. Neste ato, queremos deixar consignado que a Liberdade Religiosa e de culto é um Direito Constitucional e que o combate ao ódio e ao Racismo Religioso, também estão previstos no Estatuto da Igualdade Racial e combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia".


É preciso reconhecer e respeitar práticas e crenças religiosas de terceiros, ou a sua ausência ao credo. Sem o respeito, toda a sociedade está ameaçada. O Brasil vive essa realidade, sofrido por diversos segmentos religiosos. De acordo com dados do Observatório das Liberdades Religiosas (OLR), lançado recentemente, os costumes, templos e adeptos de matrizes africanas são os que mais são vitimados com tanta perseguição (91 % dos casos no RJ/2021). Um novo relatório, atualizado, será lançado no dia 21 de janeiro de 2023, em um ato público, alusivo ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, encorpado com atividades culturais, debates com lideranças internacionais, feira, shows e uma atividade na Argentina, tendo como tema: Direitos Humanos

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